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Fumaça persiste em Manaus e qualidade do ar é ‘ruim’ pelo segundo dia consecutivo

Fumaça persiste em Manaus e qualidade do ar é 'ruim' pelo segundo dia consecutivo
Foto: Jackeline Lima/Rede Amazônica

Manaus amanheceu mais uma vez sob uma densa camada de fumaça nesta quarta-feira (9), marcando o segundo dia consecutivo de piora na qualidade do ar. A situação, que já havia gerado alerta na terça-feira, intensificou-se, com os índices de poluentes atingindo níveis considerados “ruins” em diversas áreas da capital amazonense. O cenário levanta preocupações sobre a saúde pública e o impacto ambiental das queimadas que assolam a Região Metropolitana de Manaus (RMM).

A fumaça em Manaus: persistência e índices alarmantes

A medição realizada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), revelou dados preocupantes. No sensor instalado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a concentração de partículas finas alcançou 67,9 µg/m³, um patamar que classifica a qualidade do ar como “ruim”. Para contextualizar, a Organização Mundial da Saúde e órgãos ambientais consideram o ar de boa qualidade quando a concentração de partículas está entre 0 e 25 µg/m³.

Durante a madrugada, a situação foi ainda mais crítica em alguns pontos da cidade. Por volta das 5h48, sensores chegaram a registrar picos de até 118 µg/m³, indicando uma concentração de poluentes significativamente acima do tolerável e expondo a população a riscos maiores. Mesmo em outras regiões, como a Zona Oeste, no bairro Tarumã, o índice de 30,1 µg/m³ foi classificado como moderado, enquanto a área central da cidade registrou 53,9 µg/m³.

Queimadas na Região Metropolitana: a origem do problema

A principal causa da fumaça que encobre Manaus, segundo o pesquisador Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, da UEA, está fortemente ligada às queimadas que ocorrem na Região Metropolitana. Este fenômeno é recorrente na Amazônia, especialmente durante os períodos de estiagem, quando a baixa umidade e a vegetação seca criam condições propícias para a propagação do fogo, muitas vezes iniciado por ação humana.

Embora não houvesse, até a publicação desta reportagem, informações específicas de órgãos ambientais sobre os focos exatos responsáveis pela fumaça na capital, a ligação com as queimadas é inegável. A prática de desmatamento e a limpeza de terrenos por meio do fogo contribuem diretamente para a emissão de material particulado e gases tóxicos na atmosfera, afetando não apenas a visibilidade, mas a saúde respiratória de milhares de pessoas. Para acompanhar os focos de queimadas no Brasil, é possível consultar dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora a situação em tempo real. Acesse o portal do INPE para mais informações.

Impactos na saúde e a voz dos moradores

A inalação de partículas finas presentes na fumaça pode causar uma série de problemas de saúde, desde irritações nas vias respiratórias, tosse e dificuldade para respirar, até o agravamento de doenças crônicas como asma, bronquite e problemas cardíacos. Crianças, idosos e pessoas com condições preexistentes são os mais vulneráveis a esses efeitos.

Nas redes sociais, a insatisfação e a preocupação dos moradores de Manaus foram evidentes. Muitos relataram o forte cheiro de fumaça e a visibilidade reduzida, além de expressarem indignação com a situação. “Já não basta o calor descomunal e ainda tem algum desgraçado que achou de bom tom fazer queimada”, desabafou um usuário na rede social X, refletindo o sentimento de frustração diante de um problema que se repete anualmente. A fumaça já havia sido notada na terça-feira (8), quando a qualidade do ar foi classificada como moderada, indicando uma deterioração progressiva.

Cenário regional: a situação em municípios vizinhos

A problemática da fumaça e da má qualidade do ar não se restringe apenas à capital. Municípios da Região Metropolitana de Manaus também enfrentam o mesmo desafio, com alguns registrando índices ainda mais alarmantes. Em Iranduba, por exemplo, a qualidade do ar foi considerada “muito ruim”, com o sensor marcando 83 µg/m³ por volta das 7h40. A situação no município vizinho foi agravada por um incêndio recente no lixão da cidade, um foco de poluição significativo.

Outras cidades como Autazes, que registrou 78,4 µg/m³ no mesmo horário, Manacapuru com 46,1 µg/m³, e Manaquiri com 39,9 µg/m³, também apresentaram concentrações de partículas acima do nível considerado bom. Esse panorama regional reforça a necessidade de ações coordenadas e eficazes para combater as queimadas e mitigar seus impactos, protegendo a saúde da população e o ecossistema amazônico.

Acompanhar a qualidade do ar e as causas da poluição é fundamental para entender os desafios ambientais da nossa região. Para se manter sempre informado sobre este e outros temas relevantes que afetam o Amazonas, continue acessando O Amazonas, seu portal de notícias comprometido com informação de qualidade e contextualizada.

Fonte: g1.globo.com

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