Reconstituição revela dinâmica da violência no bairro São Geraldo
Em um procedimento conduzido pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Ezenilson Silva de Sousa, apontado como autor da chacina que vitimou três pessoas e deixou uma mulher ferida, retornou ao local do crime para realizar a reconstituição dos fatos. A ação, acompanhada por equipes da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), buscou confrontar a versão apresentada pelo suspeito em depoimento com os vestígios encontrados na residência situada no bairro São Geraldo, na Zona Centro-Sul de Manaus.
O crime, ocorrido na manhã de segunda-feira (17), chocou a capital amazonense pela brutalidade. As vítimas fatais foram identificadas como Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos, Isabella Coelho Morais, de 29, e Guilherme Pereira Lima Filho, de 65. Uma quarta moradora, identificada como Dilma, foi ferida durante a ação e socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.
A motivação e a cronologia do ataque
Durante a reconstituição, Ezenilson detalhou aos investigadores que o motivo central do crime seria uma cobrança financeira. Segundo o relato, ele teria ido ao imóvel para exigir o pagamento de uma quantia que o pastor Francisco, seu ex-sogro, teria prometido a ele. O suspeito afirmou que o conflito escalou após uma discussão sobre o valor, que, segundo a polícia, seria de R$ 19 mil, montante que o autor utilizaria para quitar dívidas com agiotas.
A dinâmica dos ataques, conforme narrado pelo suspeito, começou com Francisco, que teria sido a primeira vítima. Na sequência, Guilherme Pereira Lima Filho, professor universitário da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), teria ouvido a movimentação e, ao intervir, entrou em luta corporal com o agressor, vindo a falecer no local. O suspeito também descreveu o momento em que atingiu Isabella, filha do pastor, e a vizinha Dilma, que residia no térreo do imóvel.
Evidências e perícia no local
O trabalho policial incluiu a identificação de objetos utilizados na ação criminosa. Ezenilson apontou uma luva que teria sido usada durante a execução do crime. Segundo as investigações, o suspeito chegou à residência por volta das 5h30, utilizando uma motocicleta, e teria acessado o interior da casa pulando o muro. A saída do local ocorreu por volta das 7h, sendo registrada por câmeras de segurança da região.
Embora o suspeito tenha alegado legítima defesa, o delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS, classificou a versão como pouco convincente. A polícia trabalha com a hipótese de que o crime foi premeditado e executado com o uso de um martelo, objeto que o suspeito afirmou ter descartado em um igarapé próximo. A frieza demonstrada pelo investigado durante a reconstituição tem sido um dos pontos de destaque nas declarações das autoridades policiais.
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Fonte: g1.globo.com