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Seca do Rio Negro altera rotina e obriga caminhadas de até 2 km em Manaus

Seca do Rio Negro altera rotina e obriga caminhadas de até 2 km em Manaus
Foto: William Duarte/Rede Amazônica

A descida contínua do Rio Negro impõe novos desafios à rotina de moradores e trabalhadores em Manaus e em diversas regiões do estado. Com a cota alcançando a marca de 16,52 metros, a estiagem transforma o cenário fluvial e terrestre, exigindo longas caminhadas, aumento no tempo de deslocamento e adaptações severas no transporte de passageiros e mercadorias.

O impacto da vazante severa atinge de forma direta dezenas de milhares de famílias na zona rural e em comunidades ribeirinhas. A situação mobiliza autoridades e afeta a economia local, elevando custos logísticos e complicando o acesso a itens essenciais de sobrevivência.

Impacto no transporte fluvial e caminhadas estendidas

Na tradicional Marina do Davi, o recuo das águas altera de maneira drástica a dinâmica de embarque e desembarque. Quem precisa se deslocar entre as comunidades e a capital enfrenta percursos que chegam a exigir cerca de dois quilômetros de caminhada sobre áreas antes submersas.

Moradores de localidades como o Tarumã-Mirim relatam que o custo e o tempo das viagens aumentaram consideravelmente. A necessidade de utilizar embarcações menores, as chamadas rabetas, em etapas pontuais do trajeto encarece a viagem e prolonga a jornada para quem busca suprimentos na cidade.

Queda drástica no turismo e risco para barcos

Profissionais que atuam na navegação e no turismo regional sentem de perto os reflexos econômicos negativos da estiagem. Trabalhadores do setor registram reduções expressivas no movimento de passageiros, com perdas estimadas em até 80% na demanda diária.

Além da baixa circulação de pessoas, a navegação em cotas críticas apresenta riscos reais de avarias estruturais nas embarcações devido a bancos de areia e obstáculos submersos. A possibilidade de paralisação total das atividades é cogitada por condutores caso o nível diminua ainda mais nas próximas semanas.

Elevação de preços e abastecimento comprometido

O encarecimento do frete fluvial repercute diretamente no comércio de gêneros alimentícios e insumos básicos nas comunidades ribeirinhas. A impossibilidade de trafegar com embarcações de maior porte obriga comerciantes a realizarem múltiplas viagens com cargas reduzidas.

Essa mudança logística resulta na alta de preços para produtos fundamentais, como alimentos frescos, gás de cozinha e água potável. A situação de vulnerabilidade é agravada por problemas de infraestrutura local, incluindo falhas no fornecimento de energia elétrica e desafios redobrados no manejo de resíduos sólidos.

Descarte de resíduos e desafios ambientais na vazante

A retração das águas também expõe grandes volumes de resíduos acumulados às margens dos igarapés, gerando preocupação ambiental e sanitária para os habitantes da região. Enquanto a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana mantém operações de recolhimento por meio de balsas, líderes comunitários cobram a ampliação do serviço.

O fluxo de detritos trazidos dos centros urbanos vizinhos intensifica a poluição visível no leito seco, exigindo reforço estrutural na coleta pública para mitigar os riscos à saúde coletiva e preservar o ecossistema local durante o período crítico.

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Fonte: g1.globo.com

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