O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira (31) a segunda fase da Operação Usura, batizada de “Juros Sobre Juros”. A ação cumpre oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Manaus e Benjamin Constant, no interior do estado, intensificando o combate a um grupo criminoso suspeito de praticar agiotagem, extorsão e lavagem de capitais. A investigação revela um esquema de empréstimos informais com juros abusivos, que chegavam a 70% ao mês, e ameaças na cobrança das dívidas.
A operação é um desdobramento da primeira fase, realizada na última segunda-feira (27), que já havia resultado na prisão de três suspeitos e na apreensão de bens. O foco atual é a coleta de mais provas e a identificação de outros envolvidos e vítimas, principalmente servidores do Poder Judiciário que teriam sido alvos do grupo.
Aprofundando a investigação contra juros abusivos
A Operação Usura teve início após a denúncia de uma vítima que relatou ter recorrido a empréstimos fora do sistema financeiro tradicional e, posteriormente, enfrentado sérias dificuldades para quitar a dívida devido aos juros exorbitantes e às ameaças recebidas. Essa queixa inicial foi o ponto de partida para uma minuciosa apuração que envolveu a análise de conversas, comprovantes de transferências bancárias e uma vasta gama de documentos.
Os indícios coletados pelo Gaeco apontam para a prática de usura pecuniária, conhecida popularmente como agiotagem, além de extorsão e lavagem de capitais. O grupo utilizava contas bancárias de terceiros, as chamadas “pessoas interpostas”, para receber os pagamentos e, assim, ocultar a identidade dos verdadeiros beneficiários do esquema. Essa estratégia visava dificultar o rastreamento do dinheiro e a identificação dos líderes da organização criminosa.
Detalhes da Operação Usura e apreensões
Nesta segunda fase, os mandados de busca e apreensão visam recolher uma série de materiais que podem fornecer novas pistas e consolidar as provas já existentes. Entre os itens procurados estão celulares, computadores, documentos diversos, contratos de empréstimos, promissórias, comprovantes de transações financeiras, mídias eletrônicas, armas e valores em dinheiro sem comprovação de origem lícita.
Imagens divulgadas durante a operação mostram a apreensão de maços de notas de moeda estrangeira e diversos aparelhos celulares, evidenciando a materialidade dos crimes investigados. A complexidade do esquema e a quantidade de itens apreendidos sublinham a dimensão da atuação do grupo no Amazonas, afetando a estabilidade financeira e a segurança de diversas pessoas.
Antecedentes: a primeira fase da Operação Usura
A primeira fase da Operação Usura, deflagrada na segunda-feira (27), já havia revelado a extensão da rede criminosa. Naquela ocasião, foram cumpridos mandados que levaram à prisão de três suspeitos. Um policial militar, já investigado por sua suposta ligação com o grupo, foi detido em diligências anteriores. Outros dois indivíduos foram presos em flagrante por desacato durante a ação.
As investigações iniciais indicaram que o grupo criminoso é composto por 24 pessoas físicas e jurídicas. Entre os alvos, destacam-se três advogados, cujos escritórios também foram objeto de busca e apreensão por suspeita de envolvimento com o esquema de agiotagem e extorsão. Na primeira fase, foram apreendidos cerca de R$ 160 mil em dinheiro, além de dois veículos, joias, documentos e celulares. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados, visando descapitalizar a organização e impedir a continuidade das atividades ilícitas.
O impacto social da agiotagem no Amazonas
A agiotagem, ao operar à margem do sistema financeiro legal, representa um grave risco social e econômico. As vítimas, muitas vezes em situação de vulnerabilidade ou com necessidades urgentes, são atraídas por promessas de dinheiro rápido, mas acabam presas em um ciclo de dívidas impagáveis e ameaças. No caso em questão, a mira em servidores do Poder Judiciário adiciona uma camada de preocupação, levantando questões sobre a segurança e a integridade de instituições públicas.
O promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, coordenador do Gaeco, ressaltou que as investigações prosseguem sob sigilo para identificar a totalidade da atuação do grupo e os prejuízos causados às vítimas. O Ministério Público reforça que todos os investigados têm seus direitos constitucionais assegurados, incluindo a presunção de inocência, enquanto o processo de apuração avança para trazer justiça e coibir a prática desses crimes. A atuação do Ministério Público do Amazonas é fundamental para a proteção da sociedade contra crimes financeiros como a agiotagem.
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Fonte: g1.globo.com