Em uma ação estratégica voltada ao combate de crimes ambientais na região de fronteira, forças de segurança realizaram, nesta sexta-feira (21), a destruição de seis dragas utilizadas para a extração ilegal de minérios no rio Içá, no Amazonas. A intervenção ocorreu nas proximidades da Vila Alterosa do Juí, área de difícil acesso situada no município de Santo Antônio do Içá, e integra a terceira fase da Operação Jaguaretê.
Ação integrada contra o garimpo ilegal
A operação foi conduzida por militares do Comando de Fronteira Solimões/8º Batalhão de Infantaria de Selva em conjunto com agentes do Ibama. As estruturas, construídas precariamente com madeira e lona, foram localizadas durante patrulhamentos fluviais de rotina. Além das dragas, que possuem um valor estimado de R$ 1,2 milhão, os agentes apreenderam uma pistola calibre 380, munições e mercúrio, substância altamente tóxica utilizada no processo de separação do ouro.
A destruição dos equipamentos seguiu os protocolos da legislação federal vigente para o combate ao garimpo ilegal. A medida visa impedir que o maquinário, mesmo que de pequeno porte, continue a operar em atividades poluidoras que carecem de qualquer licenciamento ambiental.
Impactos ambientais e sociais na bacia do rio Içá
Embora as dragas destruídas não possuam as dimensões colossais de grandes embarcações de mineração, o impacto ambiental causado por elas é significativo. A atividade de garimpo provoca o assoreamento do leito do rio e a degradação do ecossistema aquático, resultando em uma redução drástica na oferta de peixes, o que prejudica diretamente a segurança alimentar e a economia das comunidades ribeirinhas que dependem da pesca para subsistência.
Outro ponto de extrema preocupação para as autoridades é o uso do mercúrio. O metal pesado, ao ser descartado nos cursos d’água, entra na cadeia alimentar através dos peixes, acumulando-se nos organismos e representando um risco grave à saúde pública das populações locais que consomem o pescado da região.
Balanço da Operação Jaguaretê na fronteira
A Operação Jaguaretê, coordenada pelo Comando Militar da Amazônia (CMA), tem se consolidado como uma das principais frentes de repressão a delitos transfronteiriços. Segundo dados do CMA, o impacto financeiro causado às organizações criminosas desde o início das ações ultrapassa a marca de R$ 200 milhões, contabilizando apreensões de drogas, armas, ouro e a desarticulação de infraestruturas logísticas do crime.
Nesta fase específica, o balanço das atividades inclui a apreensão de quatro armas de fogo, mais de 1.200 munições e 3,4 toneladas de entorpecentes, como cocaína, maconha e skunk. Além disso, as equipes recolheram 17,5 toneladas de pescado ilegal, 26 metros cúbicos de madeira e 55 gramas de ouro, totalizando R$ 1,1 milhão em multas aplicadas. O trabalho da 16ª Brigada de Infantaria de Selva reforça a presença do Estado em áreas remotas, visando a proteção da soberania nacional e a preservação do bioma amazônico.
O portal O Amazonas segue acompanhando os desdobramentos desta e de outras operações de proteção ambiental na região. Para se manter informado sobre as notícias que impactam o nosso estado, continue acessando nosso portal, onde trazemos diariamente apurações aprofundadas e um compromisso inegociável com a verdade e a qualidade da informação.
Fonte: g1.globo.com