A capital amazonense atravessou um mês de agosto atípico, marcado por um cenário de ar rarefeito e temperaturas extremas. Segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Manaus registrou o agosto mais seco dos últimos 40 anos, com um volume acumulado de apenas 2,4 milímetros de chuva. O índice coloca o período como o segundo mais escasso desde 1986, quando a cidade contabilizou apenas 1,6 milímetros.
O impacto do fenômeno El Niño no clima amazônico
A escassez de precipitações não é um evento isolado, mas o reflexo direto da influência do fenômeno El Niño na região. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico altera a circulação atmosférica, provocando um processo de subsidência — o movimento de descida do ar — que inibe a formação de nuvens carregadas. Esse mecanismo resulta em dias de céu aberto, baixa umidade e calor intenso, características que se tornaram predominantes na capital ao longo do último mês.
Renato Senna, meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explica que o cenário já era monitorado pelos órgãos de controle. “Neste mês de agosto, a gente já sente a influência do El Niño sobre essa região. Há pouca formação de nuvens e, por consequência, volumes muito baixos de precipitação”, detalha o especialista. A única trégua na secura ocorreu no dia 22, quando uma chuva isolada trouxe um alívio passageiro, insuficiente para reverter o déficit hídrico acumulado.
Estiagem e o comportamento dos rios
O impacto climático vai além das temperaturas registradas nos termômetros urbanos. O pesquisador alerta que o comportamento do Rio Negro em 2026 apresenta semelhanças preocupantes com o cenário observado em 2023, ano em que a região enfrentou uma das estiagens mais severas de sua história recente. A tendência é que a descida das águas seja acelerada, afetando bacias importantes como as do Tapajós, Xingu e Abacaxis.
A correlação entre o El Niño e as ondas de calor na Amazônia cria um ciclo de pressão sobre o ecossistema e a infraestrutura local. Com o acoplamento entre oceano e atmosfera, a previsão é de que o fenômeno atinja seu ápice entre outubro e dezembro, mantendo o estado em alerta para a possibilidade de uma seca severa e prolongada.
Previsão de atraso na estação chuvosa
O regime de chuvas, que normalmente começa a dar sinais de regularidade entre meados de outubro e novembro, deve sofrer atrasos significativos. A expectativa é que o último trimestre do ano seja marcado por um calor persistente, com temperaturas que podem superar as médias históricas. A previsão indica que setembro continuará sendo um mês de temperaturas elevadas, com projeções de calor cerca de 1,5ºC acima do que foi registrado em agosto, impactando diretamente municípios como Manaus, Parintins e Nhamundá.
Para acompanhar os desdobramentos climáticos e as atualizações sobre o nível dos rios no estado, continue lendo o portal O Amazonas. Nosso compromisso é levar até você informação apurada, contextualizada e relevante sobre os principais acontecimentos que moldam a realidade da nossa região.
Fonte: g1.globo.com