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Amazonas lidera ranking nacional de mortalidade infantil indígena em 2025

Amazonas lidera ranking nacional de mortalidade infantil indígena em 2025
Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, apresenta o relatório Matheus Santos/Rede Amazônica

O estado do Amazonas registrou o maior número de mortes de bebês e crianças indígenas de até quatro anos em todo o Brasil no ano de 2025. Segundo o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foram contabilizados 306 óbitos nesta faixa etária no estado, um dado que acende um alerta urgente sobre a fragilidade das políticas públicas voltadas para a saúde e proteção desses povos.

O levantamento nacional aponta que, ao todo, 1.024 crianças indígenas morreram no país no último ano. Com isso, o Amazonas concentra quase um terço de todas as perdas registradas em território brasileiro. O cenário é agravado pelo fato de que 57% dessas mortes, ou 586 casos, foram classificadas como evitáveis, decorrentes de doenças que poderiam ser combatidas com assistência médica básica e saneamento adequado.

Causas evitáveis e o impacto na saúde pública

A análise detalhada do Cimi revela que enfermidades tratáveis continuam sendo as principais responsáveis pela mortalidade infantil nas comunidades. A gripe e a pneumonia lideraram as causas, provocando 104 mortes, seguidas por doenças infecciosas intestinais, com 85 óbitos, e a desnutrição, que vitimou 32 crianças. O aumento em relação a 2024, quando o país registrou 922 mortes, evidencia uma tendência preocupante que exige respostas imediatas das autoridades sanitárias.

O Amazonas aparece no topo da lista, superando estados como Roraima, com 158 mortes, e Mato Grosso, com 123. A disparidade regional reforça a necessidade de um olhar atento para as dificuldades de acesso aos serviços de saúde em áreas remotas da Amazônia, onde a logística e a ausência de infraestrutura básica potencializam os riscos para a população infantil.

Violência contra a pessoa e o cenário no Amazonas

Além da crise na saúde, o relatório aponta que o Amazonas também lidera as estatísticas de suicídio entre indígenas, com 77 casos registrados em 2025. O número coloca o estado à frente de Mato Grosso do Sul e Roraima. No que tange aos assassinatos, o estado contabilizou 47 ocorrências, compondo um quadro nacional de 258 homicídios, o que representa um crescimento de 22% em relação ao ano anterior.

O documento, que compila dados de órgãos públicos, comunidades e bases de saúde, detalha ainda uma série de violações que incluem tentativas de assassinato, casos de racismo, violência sexual e abuso de poder. Ao todo, o Cimi registrou 474 ocorrências de violência contra a pessoa no país, evidenciando um ambiente de vulnerabilidade constante para os povos originários.

Conflitos territoriais e a morosidade na demarcação

A questão fundiária permanece como um dos pilares da tensão enfrentada pelos povos indígenas. O relatório identificou 169 conflitos territoriais em 23 estados, afetando 143 Terras Indígenas. A maior parte desses territórios ainda aguarda providências do Estado para a regularização, um processo que, segundo o Cimi, é atravessado por disputas políticas e jurídicas, como a implementação da Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal.

A invasão possessória e a exploração ilegal de recursos naturais também foram mapeadas, atingindo 151 Terras Indígenas. O levantamento aponta que 897 reivindicações territoriais ainda dependem de medidas administrativas. Para mais informações sobre este e outros temas que impactam a região, continue acompanhando o portal O Amazonas, seu compromisso diário com a notícia relevante e aprofundada.

Fonte: g1.globo.com

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