A organização Expedicionários da Saúde iniciou neste sábado (31) uma nova missão humanitária no distrito de Iauaretê, localizado no Alto Rio Negro, no interior do Amazonas. O retorno ao território marca um momento simbólico e prático para a medicina voluntária na região amazônica, pois o mesmo local abrigou a primeira ação oficial do grupo, realizada em abril de 2004.
Desta vez, a operação inaugura oficialmente o projeto batizado de Cuidar para Preservar, uma iniciativa de longo prazo que planeja prestar assistência médica contínua às comunidades indígenas locais ao longo dos próximos quatro anos. A programação atualizada prevê uma intensa rotina de trabalhos até o dia 7 de novembro.
Estrutura hospitalar móvel em área remota
Para viabilizar o atendimento em uma das regiões mais isoladas do país, a operação mobiliza cerca de 60 profissionais e voluntários, incluindo médicos, enfermeiros e equipes de suporte logístico. O grande diferencial da ação é a instalação de uma estrutura hospitalar itinerante, equipada com centro cirúrgico e tecnologia de ponta comparável à de grandes centros urbanos.
A mobilização logística exige um esforço monumental de transporte. A organização desloca aproximadamente 20 toneladas de equipamentos, fármacos e insumos por meio de rotas fluviais e terrestres. Em contraste, a missão inaugural realizada em 2004 contava com apenas quatro médicos e transportava cerca de 100 quilos de materiais, ilustrando a expansão operacional da iniciativa ao longo de duas décadas.
Especialidades médicas e cirurgias especializadas
A 59ª expedição da entidade concentra esforços em quatro frentes prioritárias de atendimento à saúde: oftalmologia, cirurgia geral, saúde da mulher e pediatria. Os pacientes locais têm acesso a exames diagnósticos, avaliações clínicas e procedimentos cirúrgicos específicos para demandas reprimidas na região.
Na área de oftalmologia, o cronograma destaca a realização de cirurgias para correção de catarata e pterígio. Na cirurgia geral, o foco principal recae sobre o tratamento de pacientes diagnosticados com hérnia. Já no eixo voltado à saúde da mulher, as equipes priorizam a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, além de acompanhamentos contínuos.
Metas de longo prazo e parcerias estratégicas
O projeto Cuidar para Preservar conta com suporte financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio de recursos geridos pelo Fundo Amazônia. A proposta vai além das cirurgias pontuais, englobando também atendimentos odontológicos, consultas na modalidade a distância, capacitação de equipes locais e melhorias estruturais nos polos de saúde indígena.
Outro destaque do planejamento é a inclusão de assistência a pessoas amputadas, com a distribuição de próteses viabilizadas pelo programa Floresta em Movimento. Todas as ações ocorrem em articulação direta com órgãos de representação e controle sanitário, como o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Ao longo de mais de 20 anos de trajetória na Amazônia, os Expedicionários da Saúde acumulam marcas expressivas de impacto social. Os registros oficiais contabilizam 58 expedições concluídas, superando a marca de 11 mil cirurgias, 80 mil consultas e 170 mil exames laboratoriais e de imagem realizados em áreas de difícil acesso.
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Fonte: g1.globo.com