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Mãe de Djidja Cardoso obtém semiaberto e usará tornozeleira eletrônica em Manaus

Mãe de Djidja Cardoso obtém semiaberto e usará tornozeleira eletrônica em Manaus
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Justiça do Amazonas concedeu a progressão do regime fechado para o semiaberto a Cleusimar de Jesus Cardoso, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso. A decisão, proferida pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, da 2ª Vara de Execução Penal de Manaus, implica que Cleusimar deixará a prisão a partir desta segunda-feira (28) para cumprir o restante de sua pena sob monitoramento eletrônico.

Condenada em julho deste ano a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes relacionados ao tráfico de cetamina na capital amazonense, Cleusimar era apontada pela sentença como a principal articuladora e líder do grupo investigado no chamado Caso Djidja. A mudança de regime marca um novo capítulo no desdobramento de um caso que chocou o estado e ganhou repercussão nacional.

Progressão de regime e requisitos cumpridos

A decisão judicial que concedeu o regime semiaberto a Cleusimar Cardoso levou em consideração o cumprimento de uma série de requisitos legais. Entre eles, destaca-se o bom comportamento da ré durante o período em que esteve presa. Além disso, a Justiça reconheceu um abatimento de 12 dias na pena de Cleusimar, resultado de atividades realizadas no cárcere.

Essas atividades incluíram quatro dias dedicados à leitura de um livro, sete dias de trabalho e um dia de participação no Projeto Remicine. Tais iniciativas, realizadas em agosto de 2026, demonstram o esforço da condenada em buscar a ressocialização e cumprir as exigências para a progressão de regime, conforme previsto na legislação penal brasileira.

As regras do regime semiaberto em Manaus

Com a progressão para o regime semiaberto, Cleusimar de Jesus Cardoso estará sujeita a um rigoroso conjunto de regras e monitoramento. A principal delas é o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, que permitirá à Central de Monitoramento acompanhar seus deslocamentos e garantir o cumprimento das determinações judiciais. Ela será cadastrada no sistema Chronos, ferramenta essencial para a fiscalização.

As restrições de horários são claras: Cleusimar deverá permanecer em sua residência cadastrada das 22h às 6h, de segunda a sexta-feira. Durante esse período, saídas serão permitidas apenas para fins de trabalho, estudo ou tratamento de saúde, desde que previamente comunicados e autorizados pela Central de Monitoramento. Nos fins de semana, feriados e dias de folga, o recolhimento domiciliar deverá ser integral.

Outras proibições incluem a mudança de endereço ou a saída de Manaus sem autorização expressa da Justiça. Ela também será obrigada a atender a todas as convocações das autoridades e está proibida de portar armas, consumir bebidas alcoólicas ou drogas, e, evidentemente, de cometer novos crimes. O descumprimento de qualquer uma dessas condições pode levar à regressão do regime, com o retorno ao sistema prisional fechado.

O Caso Djidja Cardoso e a condenação por tráfico de cetamina

A condenação de Cleusimar Cardoso e de outras seis pessoas, incluindo seu filho Ademar Farias Cardoso Neto, ocorreu em 22 de julho de 2026. Essa foi uma nova sentença no âmbito da Operação Mandrágora, que investigou um esquema de tráfico de cetamina em Manaus. As penas para os sete condenados variaram entre oito anos e seis meses e 10 anos e 11 meses de prisão. Três outros réus foram absolvidos por falta de provas.

Segundo a investigação e a sentença, o grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e uma seita religiosa denominada “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar a cetamina. A substância, um anestésico veterinário, era obtida de forma ilegal e, conforme apurado, utilizada em rituais do grupo. A complexidade do caso e a natureza dos crimes envolvidos geraram grande comoção e atenção midiática.

A nova sentença de julho de 2026 veio após a anulação da decisão anterior, 10 meses antes, para regularização de provas periciais. Com a validação desses elementos, a Justiça considerou haver provas suficientes para confirmar os crimes e a responsabilidade dos envolvidos, culminando nas condenações. Para mais detalhes sobre a investigação e a morte de Djidja Cardoso, clique aqui.

A morte de Djidja Cardoso e o impacto do caso

O caso ganhou notoriedade após a morte de Djidja Cardoso, empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido, em 28 de maio de 2024, em Manaus. Djidja, que foi uma das principais atrações do Festival de Parintins por cinco anos, teve sua morte inicialmente atribuída a um edema cerebral, que comprometeu o funcionamento cardíaco e respiratório, conforme laudo preliminar. A principal linha de investigação da polícia apontou para a possibilidade de uma overdose de cetamina.

Durante as investigações, foram encontrados frascos da substância enterrados no quintal da casa de Djidja, além de caixas de cetamina, seringas, bulas e cartelas de medicamentos apreendidos. A repercussão do caso evidenciou a gravidade do tráfico e uso indevido de substâncias controladas, bem como a vulnerabilidade de indivíduos envolvidos em seitas ou grupos com práticas ilícitas. A progressão de regime de Cleusimar Cardoso é mais um desdobramento de um caso que continua a ser acompanhado de perto pela sociedade e pelas autoridades.

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Fonte: g1.globo.com

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