A rotina educacional de centenas de estudantes em comunidades rurais do município de Careiro, no interior do Amazonas, enfrenta uma interrupção severa. A falta de repasses financeiros da prefeitura aos barqueiros responsáveis pelo transporte escolar forçou a paralisação do serviço, deixando crianças e adolescentes sem acesso às salas de aula e gerando um clima de incerteza entre as famílias ribeirinhas.
O impacto da paralisação na rotina escolar
Sem receber os valores acordados pelo serviço, os condutores das embarcações afirmam que não possuem condições financeiras para arcar com os custos operacionais, especialmente o combustível. A situação tem gerado uma redução drástica na frequência escolar, com relatos de alunos que conseguem comparecer às aulas apenas três dias por semana, comprometendo diretamente o calendário letivo e o aprendizado.
Para os pais, a angústia é diária. A dona de casa Andreza da Silva Monteiro, em entrevista à Rede Amazônica, destacou a impossibilidade de as famílias assumirem o transporte por conta própria. “É um absurdo, porque os barqueiros reclamam que não têm pagamento. Eles precisam receber para poder trabalhar”, desabafou, refletindo o sentimento de impotência de uma comunidade que depende exclusivamente do poder público para garantir o direito constitucional à educação.
Apelo das famílias e intervenção do Conselho Tutelar
O drama das famílias vai além da logística. O agricultor Isaías Feijó Cortês, visivelmente emocionado, resumiu o sentimento de abandono que permeia a região. “Meu sonho é ver meus filhos formados. A educação é essencial. Pedir que alguém olhe por nós, porque estamos esquecidos”, afirmou, reforçando que a interrupção do transporte é um entrave direto ao futuro dos jovens da região.
O Conselho Tutelar do município, que já havia sido acionado pelas famílias, confirmou que solicitou providências à prefeitura há quase um mês. Segundo o conselheiro Jaisson Gomes dos Santos, a responsabilidade pela manutenção do serviço é do poder público, e a omissão atual causa prejuízos pedagógicos irreparáveis aos estudantes.
A atuação do Ministério Público do Amazonas
O caso está sob o radar do Ministério Público do Amazonas (MPAM). O promotor de Justiça Caio Barros informou que o órgão centralizou mais de 30 denúncias sobre atrasos de salários e falhas na prestação de serviços no município em um procedimento iniciado ainda em 2025. Além disso, três ações civis públicas tramitam na Justiça com o objetivo de forçar a regularização.
“Pedimos a comprovação imediata da regularização do pagamento desses barqueiros, com a comprovação, igualmente imediata, da retomada das aulas presenciais dessas crianças”, declarou o promotor. Enquanto a Justiça analisa o caso, a comunidade aguarda por uma solução que garanta o retorno dos barcos aos rios e o direito dos estudantes de voltarem às salas de aula.
O portal O Amazonas segue acompanhando os desdobramentos deste caso e as medidas adotadas pelas autoridades competentes para solucionar o impasse. Continue acompanhando nossa cobertura para se manter informado sobre os temas que impactam a vida no nosso estado.
Fonte: g1.globo.com