Impacto climático e a redução das precipitações na capital
O mês de setembro de 2026 encerrou-se em Manaus com um registro preocupante para o monitoramento meteorológico: o menor volume de chuvas dos últimos quatro anos. De acordo com os dados oficiais, a capital amazonense acumulou apenas 32,2 milímetros de precipitação ao longo dos 30 dias, evidenciando uma estiagem severa que altera a rotina da população e a dinâmica dos ecossistemas locais.
Este índice representa uma queda expressiva de aproximadamente 66% quando comparado ao mesmo período de 2025, ano em que o volume de chuvas atingiu a marca de 95 milímetros. A escassez de água, característica marcante deste ciclo, é atribuída diretamente à influência do fenômeno Super El Niño, que tem provocado alterações significativas na circulação atmosférica sobre a região amazônica.
O papel do El Niño na seca amazônica
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico, na faixa equatorial. Esse aumento de temperatura nas águas oceânicas desencadeia uma reação em cadeia que modifica os padrões de ventos e a umidade que chega ao continente. Na Amazônia, o efeito prático dessa alteração é a inibição da formação de nuvens de chuva, resultando em períodos prolongados de tempo seco e temperaturas elevadas.
Especialistas alertam que a persistência desse fenômeno pode intensificar a seca no estado, acelerando a queda no nível dos rios, o que impacta diretamente o transporte fluvial, o abastecimento de comunidades ribeirinhas e a economia regional. O governo estadual já decretou situação de emergência, estimando que até 648 mil pessoas possam ser afetadas pelos desdobramentos da estiagem prolongada.
Previsão de calor extremo e disparidades regionais
Para os próximos dias, a tendência em Manaus é de continuidade do tempo ensolarado e seco. A previsão meteorológica indica que os termômetros podem atingir a marca de 37°C, exigindo cuidados redobrados com a hidratação e a exposição ao sol. A baixa umidade relativa do ar, decorrente da falta de chuvas, também se torna um fator de atenção para a saúde pública.
Contudo, o cenário não é uniforme em todo o estado. Enquanto a capital enfrenta o calor intenso, municípios como São Gabriel da Cachoeira, Maraã, Barcelos e São Paulo de Olivença possuem previsões distintas. Nessas localidades, a expectativa é de chuvas acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento, exigindo que a população local permaneça atenta aos alertas de temporais emitidos pelos órgãos competentes.
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Fonte: g1.globo.com