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Crise respiratória no Amazonas: fumaça leva 132 pessoas a buscar atendimento em três meses

Crise respiratória no Amazonas: fumaça leva 132 pessoas a buscar atendimento em três meses
Foto: Nainy Castelo Branco/Rede Amazônica

A rede estadual de saúde do Amazonas acendeu um alerta ao registrar 132 atendimentos por queixas respiratórias diretamente ligadas à inalação de fumaça. Os dados, compilados entre 1º de julho e 22 de setembro, foram divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) em uma coletiva de imprensa realizada no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) nesta quarta-feira (23). A revelação ocorre em um momento crítico, com a capital Manaus amanhecendo repetidamente sob um denso manto de fumaça, e os índices de poluição atmosférica superando os limites máximos de referência do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva).

Este cenário de poluição persistente tem gerado uma crescente preocupação entre as autoridades de saúde e a população. A fumaça, resultado principalmente de queimadas na região, agrava as condições de saúde, especialmente para os grupos mais vulneráveis, e impõe um desafio significativo à infraestrutura de atendimento médico do estado.

Impacto da fumaça na rede de urgência e emergência

Os atendimentos reportados pela SES-AM concentraram-se majoritariamente na rede de urgência e emergência, com destaque para os Serviços de Pronto Atendimento (SPAs). Homero de Miranda Leão, secretário-executivo de Assistência, afirmou que, embora os casos tenham sido tratados sem “grandes consequências do ponto de vista de tratamento e diagnóstico”, o volume de pacientes representa uma sobrecarga para o sistema de saúde, que precisa estar em constante prontidão para lidar com a demanda.

A recorrência da fumaça em Manaus, que já foi encoberta pelo fenômeno diversas vezes em um curto período, levanta questões sobre a sustentabilidade ambiental e a saúde pública na região. As queimadas, muitas vezes ilegais e impulsionadas por fatores como a estiagem e a ação humana irresponsável, transformam a paisagem e o ar que os amazonenses respiram, gerando uma crise ambiental e de saúde.

Grupos vulneráveis e os sintomas de alerta

A inalação de fumaça não afeta a todos de maneira igual. Segundo o secretário Homero Leão, crianças, idosos e indivíduos com doenças respiratórias crônicas, como asma e bronquite, são os mais suscetíveis a complicações e necessitam de atenção redobrada. Para esses grupos, a exposição prolongada pode desencadear quadros mais severos e exigir intervenção médica imediata.

Os sintomas associados à inalação de fumaça são variados e podem incluir desconforto respiratório, tosse persistente, crises de rinite, dor no peito, náusea e dor de cabeça. É fundamental que a população esteja atenta a esses sinais e saiba como proceder para buscar ajuda, evitando a automedicação ou o agravamento do quadro.

Orientações para a população e o papel da prevenção

Diante do cenário, a SES-AM emitiu orientações claras para a população. Em casos de sintomas leves, a recomendação é procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou utilizar os serviços de telessaúde, a fim de desafogar as unidades de urgência e emergência. Somente em situações de sintomas graves, a busca por um SPA ou pronto-socorro é indicada.

Outras medidas preventivas incluem manter a hidratação constante e evitar a exposição prolongada à fumaça. Quando a concentração de fumaça no ambiente externo for elevada, é aconselhável permanecer em locais fechados, com janelas e portas vedadas, sempre que possível, para minimizar a inalação de poluentes. A compreensão sobre por que Manaus amanhece coberta por fumaça é essencial para que a população possa se proteger.

Quanto ao uso de máscaras, a secretaria informou que, até o momento da divulgação, não havia uma recomendação técnica específica para a população em geral. Máscaras de pano podem auxiliar na contenção de partículas maiores, mas a eficácia contra partículas mais finas, que são as mais prejudiciais à saúde, ainda está sob avaliação.

Rede de saúde em alerta e o combate às queimadas

Homero Leão garantiu que todas as unidades da rede estadual de saúde estão em alerta máximo para um possível aumento nos atendimentos relacionados à fumaça. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) também reforçou o preparo, emitindo uma nota técnica com orientações detalhadas para os serviços de saúde e demais órgãos envolvidos no enfrentamento das queimadas, estendendo o alerta a todos os municípios do estado.

Durante a coletiva, representantes da SES-AM, do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), da Defesa Civil do Amazonas (DC-AM) e das Polícias Militar e Civil fizeram um apelo veemente à população para que não utilize fogo em áreas de mata. A irresponsabilidade humana é apontada como a principal causa das queimadas, que resultam em uma crise ambiental e de saúde pública. Os órgãos também enfatizaram a importância da participação cidadã no monitoramento e na denúncia de ocorrências, ressaltando que a conscientização é a chave para evitar essa realidade provocada e seus impactos devastadores.

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Fonte: g1.globo.com

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