A capital amazonense despertou nesta quarta-feira (23) sob uma densa camada de fumaça, fenômeno que voltou a comprometer a qualidade do ar e a visibilidade na cidade. O cenário, que se tornou recorrente neste período do ano, é resultado de uma combinação crítica entre a alta concentração de focos de incêndio no entorno da metrópole e condições meteorológicas adversas que impedem a dispersão dos poluentes.
Em coletiva realizada no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), autoridades estaduais confirmaram que os níveis de poluição ultrapassaram a faixa máxima de referência do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). A situação é agravada por um calor recorde, com Manaus atingindo a marca de 38,6°C na terça-feira (22), a maior temperatura registrada em 2026, além da baixa umidade relativa do ar.
A origem humana por trás da crise ambiental
Embora o clima seco e as altas temperaturas facilitem a propagação do fogo, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas é enfático ao apontar a responsabilidade humana. Segundo o comandante da corporação, Orleilso Muniz, a quase totalidade dos incêndios registrados tem origem em ações antrópicas, como a limpeza de terrenos, o descarte irregular de bitucas de cigarro e a realização de pequenas fogueiras que fogem ao controle.
A recorrência de focos em áreas urbanas, como na região do V-8, ilustra a dificuldade das equipes de combate. Na terça-feira (22), bombeiros foram acionados cinco vezes para o mesmo local, evidenciando que, logo após o controle de um incêndio, novos focos surgiam nas proximidades, desafiando a logística de resposta rápida das guarnições.
Monitoramento e estratégia de fiscalização
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) tem utilizado dados de satélite para mapear a mudança no comportamento das queimadas. Enquanto na semana anterior o sul do estado, em municípios como Apuí e Humaitá, concentrava as atenções, o monitoramento entre terça e quarta-feira indicou um deslocamento dos focos para o entorno de Manaus, o Baixo Amazonas e áreas do estado do Pará, com ventos transportando a fumaça para a capital.
Para conter o avanço das chamas, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) estruturou uma operação de fiscalização dividida em três eixos estratégicos, abrangendo 13 municípios da Região Metropolitana. A ação, que conta com o suporte da Polícia Ambiental e o uso de drones, busca identificar irregularidades em tempo real. Paralelamente, a Polícia Militar mantém a Operação Alerta-Fogo, que utiliza alertas georreferenciados para direcionar o patrulhamento preventivo.
Impacto estatístico e proibição do fogo
Os números refletem a gravidade da estiagem atual. O Corpo de Bombeiros reportou um aumento superior a 300% nas ocorrências de incêndio neste mês de setembro, em comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2026, a alta já ultrapassa 130%. Para enfrentar o desafio, o estado ampliou sua estrutura, passando de 11 para 25 quartéis fixos desde maio de 2025, com planos de expansão para mais sete unidades no interior.
Vale lembrar que o decreto estadual que proíbe o uso do fogo está em vigor desde 9 de setembro, com validade de 120 dias. A medida veta qualquer prática de queima para limpeza ou manejo de vegetação. Denúncias sobre focos de incêndio podem ser feitas pelos canais oficiais: 190, Disque-Denúncia 181 ou pelo contato direto do Comando de Policiamento Ambiental, no número (92) 98842-1553. Para entender mais sobre os impactos ambientais na região, consulte o portal Ibama.
O portal O Amazonas segue acompanhando o desdobramento da qualidade do ar e as ações de combate aos incêndios em todo o estado. Continue conectado conosco para receber informações precisas, atualizadas e contextualizadas sobre os temas que impactam a vida dos amazonenses.
Fonte: g1.globo.com