Inovação acadêmica com foco na saúde regional
Uma pesquisa desenvolvida no curso de Engenharia Química da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) promete trazer uma alternativa inclusiva para o mercado de alimentos regionais. A estudante Elisa Viana criou um protótipo de iogurte de açaí totalmente isento de açúcar, voltado especificamente para o público com diabetes. O projeto, que surgiu em sala de aula durante a disciplina de Tecnologia em Alimentos, busca unir o valor nutricional e cultural do fruto amazônico a uma necessidade urgente de saúde pública.
A motivação para o desenvolvimento do produto possui um forte componente pessoal. Segundo a acadêmica, a observação das dificuldades enfrentadas por familiares com restrições alimentares impulsionou a busca por uma fórmula segura. “Minha avó tem diabetes e gosta muito de doces e iogurtes. Temos dificuldade de encontrar produtos que ela possa comer sem riscos. Queríamos que as pessoas pudessem consumir sem preocupação”, relata a pesquisadora.
Substituição inteligente e desafios laboratoriais
Para garantir que o iogurte seja adequado para diabéticos, a equipe substituiu o açúcar tradicional pelo xilitol, um adoçante natural extraído de fibras vegetais que possui baixo índice glicêmico. A escolha do ingrediente reflete o compromisso do projeto com a naturalidade do produto, mantendo o sabor característico do açaí sem elevar os níveis de glicose no sangue dos consumidores.
Atualmente, o projeto encontra-se em uma fase avançada de testes laboratoriais. Embora o produto já esteja próprio para consumo, a equipe de pesquisa trabalha em ajustes finos relacionados à experiência sensorial. Um dos obstáculos enfrentados é a oxidação natural do açaí, que altera a coloração do iogurte. “Algumas pessoas acham estranho e pensam que é chocolate ou que o produto estragou. Por isso, queremos ajustar o tom usando corantes naturais”, explica Elisa.
Potencial de mercado e busca por parcerias
O iogurte de açaí sem açúcar integra uma tendência crescente no Amapá, onde o fruto tem sido explorado em diversas vertentes, como café, tinto e sorvete. Para que a inovação saia dos laboratórios da Ueap e chegue às prateleiras dos supermercados, a universidade busca agora o apoio da iniciativa privada. O investimento é considerado fundamental para concluir as etapas finais de validação e garantir a viabilidade comercial em larga escala.
O professor João Antônio Pessoa, docente do curso de Engenharia Química, destaca que a instituição desempenha um papel estratégico na transformação de estudos acadêmicos em negócios reais. “O produto tem potencial de mercado, mas precisa de investimento para concluir as etapas de testes e garantir que seja 100% seguro para o consumidor. A universidade incentiva a criação de novos alimentos”, afirma o professor, reforçando o histórico da instituição em fomentar o empreendedorismo científico.
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Fonte: g1.globo.com