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Logística e crédito são os gargalos para a bioeconomia na Amazônia

Logística e crédito são os gargalos para a bioeconomia na Amazônia
Foto: Bernardo Oliveira/Instituto Mamirauá

A jornada de quase 30 toneladas de pirarucu, saindo de Fonte Boa, no interior do Amazonas, com destino ao mercado de São Paulo, ilustra com precisão a complexidade da bioeconomia regional. O pescado percorreu um trajeto que exigiu o uso de voadeiras, barcos de grande porte e caminhões, enfrentando desafios que incluem desde a necessidade de armazenamento rigoroso com gelo até as dificuldades de transbordo em Manaus e as precárias condições da rodovia BR-319. Esse percurso, longe de ser um caso isolado, representa o cotidiano de produtores que tentam transformar o potencial da floresta em um negócio sustentável e rentável.

Infraestrutura e o desafio da escala produtiva

Produzir na Amazônia é apenas o primeiro passo de uma cadeia complexa. A falta de infraestrutura logística adequada atua como um limitador severo para o crescimento e a competitividade dos produtos da região. Para Michelle Guimarães, CEO da Navegam, a ausência de investimentos robustos em transporte fluvial e terrestre impede que a produção alcance a escala necessária para atender mercados nacionais e internacionais com consistência.

A empresa, que iniciou suas atividades focada em logística fluvial e rastreabilidade, hoje opera de forma multimodal para tentar contornar os gargalos geográficos. Segundo Guimarães, o desenvolvimento socioeconômico da região está intrinsecamente ligado à superação desses entraves. Sem uma rede logística eficiente que conecte o interior às capitais e aos centros consumidores, a viabilidade econômica de produtos como o pirarucu de manejo permanece limitada.

Acesso a capital como motor da bioeconomia

Além da logística, o acesso a crédito e financiamento é outro obstáculo crítico para as cadeias da sociobiodiversidade. Muitas organizações que operam na base da economia amazônica ainda encontram dificuldades para acessar capital de giro e investimentos estruturantes. A ForestFi, empresa que atua na aproximação entre investidores e negócios locais, tem trabalhado para profissionalizar esse setor.

Macaulay Abreu, CEO da ForestFi, destaca que um dos maiores desafios é preparar as organizações para receber aportes externos. A estratégia da empresa envolve o adiantamento de recursos, permitindo que os produtores formem estoques antes dos picos de demanda. Essa manobra financeira é essencial para que as comunidades tenham maior poder de negociação e estabilidade, evitando a venda apressada da produção por preços desvalorizados.

O papel das aceleradoras no desenvolvimento regional

Empresas como Navegam e ForestFi integram um ecossistema apoiado pela AMAZ, a maior aceleradora de negócios de impacto da Região Norte. O trabalho dessas instituições é fundamental para oferecer suporte técnico e estratégico, ajudando negócios em diferentes estágios a superar as barreiras de mercado. Nos últimos cinco anos, a aceleradora analisou mais de 500 empresas, demonstrando que existe um potencial latente que aguarda soluções para problemas estruturais.

Neste 5 de setembro, Dia da Amazônia, o debate sobre como conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental ganha relevância. A experiência desses negócios mostra que a solução passa por resolver problemas concretos de infraestrutura e financiamento. Para continuar acompanhando as transformações da economia amazônica e os desafios de quem produz na floresta, siga o portal O Amazonas, seu compromisso diário com a informação regional de qualidade.

Saiba mais sobre o impacto da bioeconomia em gov.br/mcti.

Fonte: g1.globo.com

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