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Manaus registra 37,3ºC e atinge novo recorde de calor em 2026

Manaus registra 37,3ºC e atinge novo recorde de calor em 2026
Foto: Arquivos/Rede Amazônica

A capital amazonense vive dias de calor extremo. Nesta segunda-feira (31), Manaus registrou a temperatura de 37,3ºC, marca que estabelece um novo recorde para o ano de 2026, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O índice supera a máxima anterior de 37,1ºC, registrada há poucos dias, em 25 de agosto, consolidando o mês como o mais quente do calendário até o momento.

Fatores climáticos e o papel do El Niño

Especialistas explicam que o cenário de altas temperaturas já era esperado para o período, caracterizado pelo verão amazônico. No entanto, a intensidade do calor tem sido amplificada por fenômenos globais e condições locais. A meteorologista Andrea Ramos aponta que o El Niño atua como um catalisador, alterando padrões de circulação atmosférica e intensificando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Durante a estiagem, a redução da nebulosidade e o aumento da radiação solar direta sobre a superfície tornam-se fatores determinantes. Sem a cobertura de nuvens e com a umidade do solo reduzida, a energia solar é convertida diretamente em calor sensível, elevando drasticamente a sensação térmica e os termômetros na capital.

Impacto da urbanização e das ilhas de calor

Além das questões climáticas globais, a transformação do espaço urbano em Manaus contribui significativamente para o agravamento das temperaturas. A densa ocupação do solo, marcada pela impermeabilização com asfalto e concreto, cria o efeito conhecido como ilhas de calor. Esses materiais possuem baixo índice de refletividade, absorvendo a radiação solar durante o dia e liberando o calor acumulado durante a noite.

A falta de arborização adequada é outro ponto crítico apontado por especialistas. A ausência de áreas verdes impede o resfriamento natural por evapotranspiração e bloqueia a circulação das brisas úmidas provenientes dos rios Negro e Amazonas. O avanço desordenado da construção civil, que ergue barreiras físicas ao fluxo de ar, agrava ainda mais a sensação de abafamento enfrentada pelos moradores.

Desdobramentos e alerta para o futuro

O cenário atual acende um alerta para a necessidade de políticas públicas voltadas ao planejamento urbano sustentável. A pesquisadora Luciana Gatti enfatiza que a tendência é de que eventos extremos de calor se tornem mais frequentes e intensos. Para mitigar esses efeitos, especialistas defendem a ampliação urgente da cobertura vegetal urbana como estratégia de adaptação climática.

A série de recordes registrados em agosto — que inclui marcas de 37,1ºC, 36,9ºC, 36,3ºC e 36,2ºC — reflete a severidade do período. O acompanhamento dessas variações é fundamental para a compreensão dos impactos do clima na saúde pública e na infraestrutura da cidade. Para mais informações sobre o clima e os desdobramentos meteorológicos na região, continue acompanhando o portal O Amazonas, seu compromisso diário com a informação relevante e contextualizada sobre o estado.

Fonte: g1.globo.com

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