Estudantes do Amazonas demonstram desafios significativos na compreensão de textos complexos e na resolução de problemas matemáticos que envolvem conceitos como porcentagem, funções e proporcionalidade. A constatação é do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), cujos resultados foram divulgados recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), acendendo um alerta sobre a qualidade do aprendizado na região.
O Saeb, uma avaliação bienal, é a ferramenta utilizada pelo MEC para medir o desempenho dos estudantes da educação básica em todo o país. Seus resultados são cruciais, pois compõem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um indicador que combina as notas obtidas em Língua Portuguesa e Matemática com as taxas de aprovação, oferecendo um panorama abrangente da qualidade educacional. Embora o Amazonas tenha registrado uma melhora histórica no Ideb, as dificuldades apontadas pelo Saeb revelam que há um longo caminho a ser percorrido para que os estudantes desenvolvam plenamente habilidades essenciais.
Desempenho em Língua Portuguesa: os desafios da interpretação
Na disciplina de Língua Portuguesa, o Amazonas foi classificado no nível 2 de aprendizagem, uma faixa compartilhada por outros 18 estados brasileiros. Este nível indica que os estudantes ainda enfrentam obstáculos consideráveis em habilidades fundamentais para a leitura e interpretação crítica.
Entre as dificuldades apontadas, destacam-se a incapacidade de localizar informações específicas em textos mais complexos, a dificuldade em identificar a finalidade de documentos técnicos e a falta de habilidade para reconhecer o tema principal de uma crônica. Além disso, a avaliação revelou que os alunos têm problemas em comparar opiniões diferentes sobre um mesmo assunto, uma competência vital para o desenvolvimento do pensamento crítico e da cidadania.
Matemática: lacunas em raciocínio e aplicação
Em Matemática, o cenário não é diferente, com o estado também se posicionando no nível 2. Embora os alunos demonstrem capacidade para resolver operações básicas e interpretar conteúdos elementares, o Saeb aponta lacunas significativas em áreas mais complexas. Os estudantes amazonenses ainda apresentam dificuldades para analisar funções do segundo grau, resolver problemas de proporcionalidade, como a regra de três, e calcular reajustes que envolvem percentuais de aumento ou desconto.
Em contraste, os estados com melhor desempenho foram classificados no nível 3. Nesses locais, os estudantes já dominam as habilidades mencionadas, mas ainda encontram desafios em conteúdos mais avançados, como sistemas de equações, probabilidade e problemas de contagem. A comparação ressalta a necessidade de intervenções pedagógicas focadas no aprofundamento do raciocínio lógico e na aplicação prática dos conceitos matemáticos no Amazonas.
Ideb em ascensão, mas metas ainda distantes
Apesar dos desafios detalhados pelo Saeb, o Amazonas registrou o melhor resultado de sua série histórica no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. O Ideb, que varia em uma escala de 1 a 10, busca avaliar a qualidade da educação considerando tanto a aprendizagem quanto a permanência e progressão dos alunos na escola. Os dados apresentados referem-se exclusivamente às redes públicas de ensino, excluindo a educação profissional e técnica.
Nos anos iniciais do ensino fundamental público, o índice do Amazonas passou de 5,6 em 2023 para 5,9 em 2025. Nos anos finais, o Ideb subiu de 4,7 para 4,8 no mesmo período. Contudo, no ensino médio da rede estadual, o indicador permaneceu estagnado em 3,7 entre 2023 e 2025. Essa estagnação no ensino médio é particularmente preocupante, pois é a etapa que prepara os jovens para o mercado de trabalho e para o ensino superior.
Cenário educacional do Amazonas: um panorama complexo
O panorama educacional do Amazonas é complexo e multifacetado. A Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc-AM) e o Governo do Amazonas foram procurados pelo g1 para se posicionarem sobre os resultados do Saeb e as dificuldades de aprendizagem, mas não houve retorno até a última atualização da reportagem. A ausência de um posicionamento oficial dificulta a compreensão das estratégias que estão sendo planejadas para enfrentar esses desafios.
Este cenário se soma a outras preocupações recentes, como o apontamento de que o Amazonas teve o pior desempenho do país no Enem em 2024, conforme ranking nacional. Além disso, o Tribunal de Contas do Amazonas (TCA) indicou um rombo de R$ 1,1 bilhão na Educação sob a gestão Wilson Lima, conforme inspeção. Tais informações contextualizam a urgência de ações eficazes para reverter o quadro e garantir um futuro mais promissor para os estudantes amazonenses.
Acompanhe O Amazonas para mais análises aprofundadas sobre a educação e outros temas relevantes para o estado. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e que impacta diretamente a vida do leitor.
Fonte: g1.globo.com