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A jornada do assassinato da babá Geovana em Manaus até o júri popular

A jornada do assassinato da babá Geovana em Manaus até o júri popular
Babá Geovana Costa Martins, que tinha 20 anos, foi encontrada morta em Manaus Arquivo pessoal

A Justiça do Amazonas determinou, em agosto de 2026, que os réus envolvidos no brutal assassinato da babá Geovana Costa Martins, de 20 anos, sejam submetidos a júri popular. A decisão marca um passo crucial na busca por justiça para um crime que chocou Manaus e expôs uma trama complexa de exploração sexual, cárcere privado e violência. Geovana, encontrada morta em agosto de 2024, era supostamente mantida em cativeiro e aliciada por sua patroa, Camila Barroso, de 33 anos, que agora enfrentará o tribunal popular ao lado de outros acusados.

O caso, que ganhou repercussão nacional, revela a vulnerabilidade de jovens em busca de oportunidades e a crueldade por trás de esquemas de exploração. A cronologia dos eventos, desde o desaparecimento da babá até a recente decisão judicial, desenha um cenário de horror e a persistência da investigação policial para desvendar os fatos.

A Tragédia de Geovana Costa Martins e o Início da Investigação

Geovana Costa Martins trabalhava há aproximadamente um ano para Camila Barroso quando sua vida foi tragicamente interrompida. Segundo depoimento de sua mãe, Márcia Costa, a jovem nunca havia manifestado qualquer sinal de desentendimento ou comportamento estranho por parte da empregadora. A aparente normalidade, no entanto, escondia uma realidade sombria que viria à tona de forma chocante.

A investigação teve um ponto de virada decisivo após o desaparecimento de Geovana. Familiares, ao acessarem um serviço de armazenamento na nuvem, encontraram fotos da jovem com hematomas no rosto, evidências claras de agressão. Essas imagens, salvas automaticamente do celular da vítima, foram cruciais para iniciar as buscas e direcionar a Polícia Civil para a natureza criminosa do caso, revelando que Geovana não havia simplesmente desaparecido, mas sim sido vítima de violência.

O Cativeiro, a Exploração e as Ameaças

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil de Manaus desvendou um esquema de exploração. Geovana, que inicialmente havia sido contratada como babá, teria sido aliciada com festas e bebidas, sendo gradualmente mantida em cárcere privado. A casa de Camila Barroso, localizada no bairro Petrópolis, na Zona Sul da capital amazonense, funcionava, segundo a polícia, como um ponto de prostituição e “casa de massagem”.

A jovem era supostamente obrigada a realizar programas sexuais e impedida de manter contato com pessoas de fora, incluindo seu ex-namorado. Para garantir que Geovana não fugisse, Camila Barroso teria usado ameaças, alegando ser ex-esposa de Mano Kaio, apontado como um dos líderes do tráfico de drogas no Amazonas. A patroa teria ameaçado chamar integrantes da facção para “quebrar as pernas” de Geovana caso ela tentasse escapar. Em junho de 2024, a emissão de um passaporte para Geovana levantou a suspeita de que Camila planejava levá-la à Europa para exploração sexual e como “mula” para transporte de drogas.

A Noite Fatal e a Descoberta do Corpo

A cronologia do crime aponta que, na noite de 19 de agosto de 2024, Geovana foi assassinada dentro da casa de Camila. A Polícia Civil afirma que a babá sofreu tortura e espancamento, vindo a óbito em decorrência de traumatismo craniano. No mesmo dia de seu desaparecimento, Geovana havia tirado as fotos de seu rosto com hematomas, que seriam posteriormente encontradas por sua família.

Após o crime, Camila Barroso e Eduardo Gomes da Silva, apontado como cúmplice, teriam colocado o corpo de Geovana no carro de Eduardo. Eles percorreram cerca de 28 quilômetros até uma área de mata na Rua Esus, no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, onde o corpo foi abandonado. Eduardo, filho da proprietária do imóvel alugado por Camila, já havia vendido o veículo, mas o pegou emprestado e o devolveu higienizado após o desaparecimento da babá, levantando suspeitas. O carro foi periciado, e o comprador prestou depoimento.

O corpo de Geovana foi encontrado com sinais de espancamento e tortura em 20 de agosto de 2024 e oficialmente identificado pela família no Instituto Médico Legal (IML) em 25 de agosto.

A Captura dos Envolvidos e o Caminho para o Júri Popular no caso Geovana

A investigação avançou rapidamente, culminando na prisão preventiva de Camila Barroso em 28 de agosto de 2024, em Manaus. A prisão foi acelerada após a polícia descobrir que ela havia deixado o imóvel e comprado uma passagem para fugir para a França, onde residiam seus familiares. No dia seguinte, 29 de agosto, a Polícia Civil detalhou as agressões sofridas por Geovana em coletiva de imprensa e divulgou a foto de Eduardo Gomes da Silva, que se tornou foragido.

Em 25 de setembro de 2024, Antônio Chelton Lopes de Oliveira, de 25 anos, foi preso, acusado de envolvimento direto no sequestro e na ocultação do cadáver. Ele já possuía histórico criminal por integrar uma quadrilha de roubo de carros de luxo em 2023. No entanto, em 15 de novembro de 2024, Camila Barroso deixou o presídio após a Justiça converter sua prisão preventiva em domiciliar, considerando que ela tinha uma filha menor de 12 anos. Ela passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica e proibida de deixar Manaus.

Agora, em agosto de 2026, a decisão de levar os réus a júri popular pelos crimes de homicídio e exploração sexual de Geovana Costa Martins representa um momento crucial para a família da vítima e para a sociedade amazonense, que aguarda por justiça neste caso de tamanha gravidade. O julgamento popular permitirá que a comunidade participe ativamente da decisão sobre o destino dos acusados, reforçando a importância da transparência e da responsabilidade em crimes que afetam profundamente o tecido social.

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Fonte: g1.globo.com

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