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Juros para famílias disparam a 64% ao ano no Brasil, alerta Banco Central

Juros para famílias disparam a 64% ao ano no Brasil, alerta Banco Central
© Marcello Casal JrAgência Brasil

As famílias brasileiras enfrentam um cenário de crescente pressão financeira, com os juros do crédito livre atingindo patamares alarmantes. Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, os juros cobrados das pessoas físicas alcançaram a marca de 64% ao ano em junho. Este aumento, que reflete uma elevação significativa tanto no mês quanto no acumulado de 12 meses, acende um alerta sobre o endividamento e o comprometimento da renda dos cidadãos.

A situação é complexa e impacta diretamente o poder de compra e a capacidade de planejamento financeiro de milhões de lares. Além dos juros elevados, os dados do BC também apontam para uma persistência da inadimplência e um comprometimento cada vez maior da renda das famílias com o pagamento de dívidas, desenhando um quadro desafiador para a economia doméstica.

O Cenário de Juros Elevados para Pessoas Físicas

A taxa média de juros do crédito livre concedido às pessoas físicas registrou um salto considerável, chegando a 64% ao ano em junho. Este valor representa uma alta de 1,2 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior e um acréscimo de 4,6 p.p. na comparação com o mesmo período do ano passado. O principal motor dessa elevação, conforme apontado pelo Banco Central, foi o aumento das taxas do crédito pessoal não consignado, que subiram expressivos 7 p.p. no período analisado.

Ao considerar todas as modalidades de crédito disponíveis no mercado, a taxa média de juros das concessões alcançou 33,4% ao ano. Esse indicador também mostrou uma tendência de alta, com elevação de 0,2 p.p. em relação a maio e de 1,5 p.p. na comparação anual. O spread bancário, que é a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes, manteve-se estável em 21,9 p.p. no mês, mas registrou um aumento de 1,1 p.p. em 12 meses, evidenciando a margem de lucro das instituições financeiras.

Inadimplência e Endividamento Familiar em Ascensão

A preocupação com os juros é amplificada pelos índices de inadimplência e endividamento. A taxa de inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) permaneceu em 4,7% em junho, estável em relação a maio, mas 1 p.p. acima do registrado no ano anterior. No segmento específico das famílias (pessoas físicas), a situação é ainda mais delicada, com a taxa de inadimplência fixada em 5,6%, um aumento de 1,2 p.p. em 12 meses.

No crédito livre, que não possui garantias específicas, a inadimplência atingiu 6,2% da carteira, mantendo-se estável no mês, mas 0,9 p.p. maior que no ano anterior. Para as famílias neste segmento, o indicador permaneceu em 7,6%, com um avanço anual de 1,1 p.p. Paralelamente, o endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,8% em maio, com uma leve redução mensal de 0,1 p.p., mas um aumento de 0,9 p.p. em 12 meses. O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas chegou a 28,5%, registrando alta de 0,1 p.p. em abril e de 1,3 p.p. na comparação anual, um sinal claro da crescente dificuldade em honrar os compromissos financeiros.

Movimentação do Crédito no Sistema Financeiro Nacional

Apesar do cenário de juros e inadimplência elevados, o saldo das operações de crédito no SFN totalizou R$ 7,4 trilhões em junho, apresentando um crescimento de 0,7% no mês e uma expansão acumulada de 9,7% em 12 meses. O crédito destinado especificamente às famílias atingiu R$ 4,6 trilhões, com aumento de 0,2% no mês e de 10,8% em 12 meses, mostrando que, mesmo com as dificuldades, o volume de crédito continua a circular.

No entanto, no crédito livre para pessoas físicas, o saldo chegou a R$ 2,5 trilhões, e, apesar da alta de 11,2% em 12 meses, houve um recuo de 0,1% em relação a maio. O Banco Central atribuiu essa redução principalmente à diminuição das carteiras de aquisição de veículos e de crédito pessoal não consignado sem garantias reais. As concessões totais de crédito, ajustadas sazonalmente, cresceram 0,4% no mês, impulsionadas pelas operações com empresas, que aumentaram 1,4%, enquanto as concessões às famílias recuaram 0,2%, indicando uma seletividade maior no acesso ao crédito para este grupo.

O Panorama do Crédito Ampliado e Seus Impactos

O crédito ampliado ao setor não financeiro, que engloba empréstimos do SFN, títulos públicos e empréstimos externos, totalizou R$ 21,7 trilhões em junho, equivalente a 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse montante representa uma expansão de 0,9% no mês, refletindo principalmente o aumento dos títulos públicos (0,7%), dos empréstimos concedidos pelo SFN (0,6%) e dos empréstimos externos (2,3%), estes últimos influenciados pela depreciação cambial registrada no período.

Desde junho do ano passado, o crédito ampliado cresceu 11,9%, com destaque para as expansões dos títulos públicos (15%), dos empréstimos do SFN (9,4%) e dos títulos privados de dívida (16%). Para as empresas, o crédito ampliado atingiu R$ 7,2 trilhões em junho, correspondendo a 54,7% do PIB, impulsionado por aumentos em empréstimos externos, do SFN e títulos privados de dívida. Em 12 meses, a expansão acumulada para as empresas chegou a 8,2%, sustentada pelo avanço dos títulos de dívida e dos empréstimos do sistema financeiro. Este panorama geral do crédito demonstra a complexidade da economia brasileira, onde o acesso ao financiamento é crucial, mas os custos e riscos continuam a ser um desafio significativo para as famílias.

Acompanhar de perto esses indicadores é fundamental para compreender a saúde econômica do país e o impacto direto na vida dos brasileiros. Para mais análises aprofundadas sobre economia, finanças e o cenário nacional, continue navegando em O Amazonas, seu portal de notícias que traz informação relevante e contextualizada para o seu dia a dia.

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