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Amazonas entra em transição para o inverno amazônico com alerta de chuvas abaixo da média

Amazonas entra em transição para o inverno amazônico com alerta de chuvas abaixo da média
Foto: Divulgação

O estado do Amazonas começa a caminhar rumo ao período conhecido regionalmente como inverno amazônico, fase marcada tradicionalmente pela intensificação das precipitações. No entanto, projeções meteorológicas apontam que o fenômeno El Niño deve influenciar o clima nos próximos meses, resultando em volumes de chuva abaixo da média histórica em diversas áreas da Região Norte. A mudança na atmosfera já provoca impactos perceptíveis na rotina dos moradores da capital e do interior.

Diferentemente de outras regiões do país, onde as estações são definidas principalmente pelas variações nos termômetros, na Amazônia o calendário climático é ditado pelo volume de água. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) aponta que a região possui duas estações bem delimitadas: a chuvosa, que costuma se estender entre novembro e maio, e a menos chuvosa, entre os meses de julho e setembro, com períodos de transição entre elas.

Impactos do El Niño e chuvas irregulares

Segundo a meteorologista Andrea Ramos, embora o mês de novembro marque o retorno gradual das chuvas, a presença do El Niño altera a circulação atmosférica e o transporte de umidade. Isso significa que a recuperação dos índices pluviométricos poderá ocorrer de maneira irregular, alternando longos períodos de calor intenso com pancadas rápidas e fortes, acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento.

A especialista destaca que essa distribuição atípica das chuvas gera preocupação em relação à recuperação dos níveis dos rios, à garantia da disponibilidade de água e à eficácia na redução de focos de queimadas e da fumaça que frequentemente encobre centros urbanos. O monitoramento constante da atmosfera amazônica torna-se fundamental para compreender a intensidade com que o fenômeno global afetará o clima local.

Temporal recente e instabilidade em Manaus

A transição climática ficou evidente na rotina de Manaus. Uma forte chuva atingiu diferentes bairros da capital, após dias consecutivos marcados por calor intenso e forte presença de fumaça. Em um intervalo curto de tempo, a Defesa Civil emitiu alertas preventivos para o risco de alagamentos e deslizamentos de terra, orientando a população a buscar abrigos seguros e evitar áreas vulneráveis a encostas.

O temporal também causou transtornos na infraestrutura urbana, provocando interrupções no fornecimento de energia elétrica na capital e em municípios da Região Metropolitana. Em nota oficial, a concessionária Âmbar Energia informou que os serviços de manutenção e restabelecimento do sistema elétrico serem retomados gradualmente assim que as condições meteorológicas permitirem segurança operacional.

Balanço pluviométrico e qualidade do ar

Até o dia 22 de outubro, a estação meteorológica instalada em Manaus havia acumulado 95,2 milímetros de chuva, montante que correspondia a 83,5% da média climatológica esperada para o mês inteiro, estimada em 113,9 milímetros. Algumas áreas urbanas registraram volumes ainda mais expressivos em poucas horas, refletindo a volatilidade das tempestades típicas deste período de transição.

A chegada das precipitações ajudou a amenizar o cenário crítico da qualidade do ar na capital. O volume de chuva ocorreu após oito dias seguidos de fumaça densa cobrindo a cidade, causada por queimadas na região. Anteriormente a esse episódio de poluição, sensores locais indicavam níveis satisfatórios de pureza do ar, demonstrando a sensibilidade ambiental do ecossistema urbano frente aos eventos climáticos e à dinâmica da floresta, que atua ativamente na reciclagem da água por meio da evapotranspiração.

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Fonte: g1.globo.com

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