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Governo decreta emergência em saúde no Amazonas após seca extrema isolar centenas de comunidades

Governo decreta emergência em saúde no Amazonas após seca extrema isolar centenas de comunidades
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica

O Governo do Amazonas decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias devido aos impactos severos da estiagem e da baixa dos rios no estado. A medida oficializa um esforço concentrado para mitigar os danos à assistência médica e logística em centenas de localidades afetadas pela seca extrema.

Publicada no Diário Oficial na segunda-feira (26), a determinação estadual leva em conta o isolamento de comunidades ribeirinhas, as barreiras logísticas para o transporte de materiais hospitalares e os reflexos diretos na qualidade do atendimento à população.

Isolamento fluvial e desafios logísticos na rede de saúde

Um levantamento preliminar conduzido pela Defesa Civil estadual mapeou 562 comunidades que ficaram completamente isoladas em decorrência da estiagem rigorosa dos rios. Essa condição geográfica adversa dificulta drasticamente o deslocamento de moradores para unidades de saúde e compromete o fluxo de transferência de pacientes.

Além do transporte de doentes, a logística de abastecimento de medicamentos essenciais e de oxigênio medicinal sofreu baques severos. O documento oficial aponta o registro de acidentes fluviais em municípios como Itamarati, Eirunepé e Borba, resultando na perda ou no comprometimento de cargas vitais para a assistência pública.

Para tentar conter os prejuízos operacionais, o governo catalogou 19 processos administrativos abertos por prefeituras locais. Os pedidos envolvem demandas urgentes por insumos, equipamentos, apoio logístico e recargas de oxigênio, servindo como base para organizar a resposta estruturada do estado.

Fumaça, queimadas e impactos respiratórios na população

Além da escassez de água potável e das dificuldades de navegação, a crise ambiental é agravada pelos incêndios florestais e urbanos. Em outubro, Manaus e diversas cidades do interior registraram episódios críticos de fumaça densa que encobriram o horizonte e deterioraram a qualidade do ar.

O decreto estabelece diretrizes específicas para a vigilância em saúde voltada aos efeitos da poluição atmosférica sobre o sistema respiratório dos moradores. As autoridades reforçam, no entanto, que a presença de fumaça e as alterações climáticas pontuais exigem monitoramento contínuo, mas não configuram, por si só, desassistência generalizada.

As ações de resposta priorizam as regiões mais vulneráveis, visando restabelecer os serviços básicos, de urgência e de emergência nos locais que comprovaram danos materiais ou interrupções no atendimento médico.

Operação integrada e auxílio humanitário aos municípios

A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) comanda as operações em articulação direta com a Defesa Civil, administrações municipais, órgãos estaduais e o governo federal. A pasta tem o papel de compilar dados sobre estoques, perdas e capacidade operacional para embasar possíveis solicitações de suporte financeiro e técnico.

Paralelamente às medidas sanitárias, a Operação Estiagem 2026 avança no envio de suprimentos essenciais. Recentemente, Anamã e Rio Preto da Eva receberam mais de 13 toneladas de mantimentos, incluindo cestas básicas, kits de limpeza e caixas-d’água para armazenamento de líquido potável.

No combate aos focos de calor, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas mantém cerca de 1.500 agentes e brigadistas em campo, amparados por 18 aeronaves. Entre 1º de junho e 26 de outubro, a corporação contabilizou milhares de ocorrências de incêndios florestais e urbanos em todo o território amazonense.

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Fonte: g1.globo.com

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