Eleitores do Amazonas foram às urnas em meio à densa fumaça provocada por queimadas, enfrentando índices de qualidade do ar que variaram de moderada a péssima em diferentes cidades do estado. A situação climática marcou o dia de votação, exigindo atenção redobrada da população que se deslocou aos locais de sufrágio para exercer o direito democrático no segundo turno das eleições.
Os dados consolidados nas primeiras horas da manhã pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), evidenciaram o impacto ambiental na rotina dos cidadãos. O monitoramento apontou cenários preocupantes tanto na capital quanto no interior, refletindo uma problemática recorrente que afeta a saúde pública na região amazônica durante os períodos de estiagem.
Qualidade do ar e impactos nos municípios
O levantamento realizado pelas plataformas de monitoramento ambiental revelou discrepâncias nos níveis de poluição entre a capital e o interior do estado. Em Manaus, os sensores espalhados por diferentes zonas não registraram nenhuma estação com qualidade do ar considerada boa logo nas primeiras horas do dia.
No interior, a concentração de partículas poluentes atingiu patamares mais alarmantes. Em Barreirinha, o índice chegou a 198,6 microgramas por metro cúbico, marca classificada como péssima. Já em Parintins e Itacoatiara, os registros apontaram marcas de 75,7 µg/m³ e 77,2 µg/m³, respectivamente, enquadrando o ar nas categorias muito ruim e inadequada para a respiração segura.
Na capital amazonense, bairros como Coroado e Petrópolis apresentaram concentrações intermediárias, avaliadas como moderadas dentro da escala técnica do Selva. Especialistas lembram que a faixa considerada ideal pelo sistema compreende concentrações de material particulado de 0 a 25 µg/m³, patamar frequentemente ultrapassado em épocas de forte incidência de queimadas.
Movimentação nos locais de votação
Apesar do cenário adverso provocado pela poluição atmosférica, a abertura dos portões ocorreu dentro da normalidade em Manaus, com eleitores comparecendo desde as primeiras horas da manhã. Na Escola Estadual Sant’Ana, localizada no bairro Aleixo, moradores madrugaram para garantir a participação rápida no pleito.
Alguns eleitores relataram a preferência pelo horário matutino para evitar filas e concluir as obrigações cívicas logo no início do dia. A tranquilidade no fluxo de pessoas foi um traço comum em vários colégios eleitorais da capital, demonstrando o engajamento da população apesar do desconforto gerado pela fumaça que cobria o horizonte urbano.
Redução nos focos de calor e persistência da fumaça
Um aspecto que contrasta com a persistência da névoa seca é a queda estatística nos registros de focos de incêndio no estado. Dados obtidos através do Painel do Fogo, ferramenta gerida pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontaram uma retração de 65,8% no número de queimadas em outubro.
A comparação entre períodos distintos do mês mostrou que a contagem caiu de 1.348 registros para 461 ocorrências. Mesmo com essa diminuição significativa nas chamas, os ventos e as condições atmosféricas continuam transportando partículas poluentes para áreas urbanas, mantendo o céu encoberto e a atmosfera carregada em grande parte do território amazonense.
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Fonte: g1.globo.com