Queda no setor turístico e os desafios da fumaça
O turismo no Amazonas registrou uma queda de 15% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados oficiais, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), refletem um cenário de preocupação para a cadeia produtiva local, que sentiu de forma direta os reflexos da piora na qualidade do ar e das queimadas florestais na região.
Embora o recuo tenha aparecido antes do agravamento mais intenso da fumaça nos meses seguintes, profissionais e representantes do setor relatam mudanças drásticas na programação dos visitantes. A presença de densas nuvens de poluição atmosférica surpreendeu turistas recém-chegados, gerando episódios de cancelamentos pontuais e a necessidade de readequação de roteiros inteiros em solo amazonense.
Relatos de guias e adaptação de roteiros
A rotina de agências e profissionais autônomos precisou ser redobrada para lidar com as expectativas e preocupações de quem visita o estado. De acordo com o vice-presidente da Cooperativa de Guias e Agentes de Turismo do Estado do Amazonas (Coopguiaturam), Jairo Félix, muitos visitantes optam por aguardar a melhoria das condições do ar antes de iniciar os passeios programados.
Apesar disso, os profissionais destacam que a atividade não parou totalmente. Entre as medidas adotadas para contornar o cenário adverso, destacam-se:
- Orientação prévia aos turistas sobre o panorama ambiental e climático.
- Indicação de roteiros alternativos com menor exposição à poluição.
- Busca por atividades imersivas e culturais em áreas menos afetadas.
- Uso de plataformas digitais para atualizar o fluxo de atrações abertas.
O guia Mario Sergio de Jesus, com ampla atuação no ecoturismo em Manaus, Presidente Figueiredo e Iranduba, aponta que o fluxo diminuiu sensivelmente. Para minimizar os prejuízos, ele aposta na divulgação de opções diferenciadas, lembrando que o impacto das queimadas varia conforme a localidade e exige flexibilidade na recepção dos viajantes.
Contexto ambiental e situação de emergência
O cenário enfrentado pelo setor de viagens está diretamente ligado ao agravamento dos episódios de incêndios florestais. Entre o início de setembro e meados de outubro, o estado contabilizou 5.365 focos de calor, conforme registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o que representa um crescimento de 195% em relação ao intervalo anterior equivalente.
A combinação de vegetação seca, altas temperaturas, baixa umidade e a influência de fenômenos climáticos como o El Niño intensificou o problema. Com a capital e diversas cidades cobertas por fumaça, o governo estadual decretou situação de emergência em 36 municípios, medida validada em âmbito federal para conter os danos sociais e ambientais.
Perspectivas e compromisso com a informação
Mesmo diante de adversidades climáticas e logísticas, a economia turística do Amazonas busca alternativas para preservar a experiência dos visitantes e manter a sustentabilidade dos negócios locais. O monitoramento contínuo das condições atmosféricas segue como prioridade para garantir segurança e transparência a quem deseja conhecer as riquezas da biodiversidade regional.
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Fonte: g1.globo.com