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Seca no Amazonas força donos de flutuantes a redesenharem estratégias de operação

Seca no Amazonas força donos de flutuantes a redesenharem estratégias de operação
Foto: Arquivo pessoa/Nádia Ferreira

A chegada do período de estiagem no Amazonas, que historicamente atinge seu ápice entre setembro e outubro, impõe um desafio anual aos proprietários de estabelecimentos flutuantes no Rio Tarumã, afluente do Rio Negro, em Manaus. Com o nível das águas em constante declínio — nesta terça-feira (26), a cota registrada pelo Porto de Manaus atingiu 24,93 metros, uma redução de 14 centímetros em apenas 24 horas —, o setor se mobiliza para mitigar prejuízos e garantir a segurança das estruturas.

A imprevisibilidade da vazante, agravada por fenômenos climáticos e pelo assoreamento dos rios, obriga os empresários a adotarem um planejamento flexível. Enquanto alguns preparam a transição de suas atividades para áreas de praia, outros avaliam o deslocamento físico dos flutuantes para trechos mais profundos, tentando equilibrar a demanda turística com as limitações impostas pela natureza.

Adaptação operacional e o impacto nas atividades

Para empreendimentos como o flutuante Abaré, que combina restaurante, hostel e eventos, a operação possui um limite técnico claro. O proprietário Diogo de Vasconcelos aponta que a marca de 17 metros no Rio Negro funciona como um gatilho para a paralisação das atividades sobre a água. A estratégia de contingência envolve a migração de serviços de bar e lazer para a faixa de areia próxima, visando manter o atendimento ao público mesmo com a estrutura principal inoperante.

A transição não é apenas logística, mas também administrativa. A redução da escala de trabalho deve resultar em férias coletivas e cortes no quadro de funcionários. Além disso, equipamentos vitais, como as estações de tratamento de resíduos, precisam ser desativados preventivamente para evitar danos estruturais causados pelo contato com o leito do rio, tornando a operação inviável sob condições de extrema baixa.

Assoreamento e o novo cenário do Rio Tarumã

O desafio atual é acentuado por mudanças geográficas no curso do Rio Tarumã. Segundo relatos de quem vive e trabalha na região, o assoreamento tornou o rio significativamente mais raso em comparação com anos anteriores, como em 2015, quando a operação era possível mesmo com níveis mais baixos do Rio Negro. Essa alteração no leito antecipa a necessidade de interrupção dos serviços, encurtando o calendário de funcionamento dos estabelecimentos.

A empresária Nádia Ferreira, proprietária do flutuante Odara, destaca que a procura por lazer na água permanece alta devido às temperaturas elevadas, mas a segurança é o fator determinante. "A partir da segunda quinzena de setembro, o uso da estrutura pode se tornar inviável. Não olhamos apenas a cota oficial, mas o comportamento da água exatamente onde o flutuante está ancorado", explica.

Cadeia produtiva e segurança patrimonial

A estiagem reverbera em toda a cadeia econômica local. O impacto social é profundo, afetando caseiros, prestadores de serviços de limpeza e profissionais de manutenção que dependem da rotatividade dos flutuantes para compor sua renda. Com a redução do movimento, esses trabalhadores enfrentam uma queda drástica na demanda por seus serviços, gerando um efeito cascata na economia do entorno.

Além da questão financeira, a segurança dos imóveis torna-se uma preocupação central. Com a diminuição do tráfego no Tarumã e o fechamento de diversos pontos, os proprietários intensificam o reforço nas amarrações e a retirada de equipamentos de valor para evitar furtos e danos estruturais decorrentes da inclinação do terreno submerso. Como resume Nádia Ferreira, a relação com o rio é de submissão: "Quem trabalha aqui aprende que é o rio quem determina quando podemos operar e quando precisamos parar".

Para acompanhar os desdobramentos da estiagem no estado e entender como o Amazonas enfrenta os desafios climáticos, continue acompanhando as reportagens do portal O Amazonas. Nosso compromisso é levar informação precisa, contextualizada e relevante para o seu dia a dia.

Fonte: g1.globo.com

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