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Rondônia se destaca na produção de cafés especiais com foco em sustentabilidade

Rondônia se destaca na produção de cafés especiais com foco em sustentabilidade
Foto: Reprodução - Ecoporé

Rondônia consolidou sua posição de protagonismo no cenário nacional da cafeicultura ao conquistar 18 das 24 vagas na fase final do concurso The Best of Canephora Brazil Edition 2026. O resultado, que coloca o estado no topo da produção de cafés canéforas de alta qualidade, reflete não apenas o aprimoramento técnico dos produtores, mas uma mudança de paradigma que integra a preservação ambiental ao sucesso comercial das propriedades rurais.

Sustentabilidade como pilar da qualidade

Entre os finalistas que representam a força rondoniense está o produtor Arildo Ferreira, da AF Café. Para ele, o caminho para o reconhecimento em uma competição de elite não se restringe aos métodos de colheita ou torra, mas começa na base: o cuidado rigoroso com o solo e os recursos hídricos. A propriedade de Ferreira tornou-se um modelo de gestão ao adotar práticas que unem a produtividade à conservação.

O produtor destaca que a rentabilidade está diretamente ligada à saúde do ecossistema. “Cuidar do meio ambiente é a primeira coisa que a gente tem que fazer. Isso também é rentabilidade. Quanto mais eu cuido da água que corta a minha propriedade, da nascente que eu recuperei, mais tenho uma água de qualidade para levar à planta”, afirma Arildo Ferreira.

O impacto do projeto Águas do Pirarara

A transformação na propriedade de Ferreira é fruto da integração com o projeto Águas do Pirarara, uma iniciativa conduzida pela organização Ecoporé com o suporte do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Rondônia (MPRO). O projeto foca na recuperação de nascentes e áreas degradadas, garantindo que a mata ciliar seja preservada ou restaurada, o que gera benefícios diretos para o microclima da lavoura.

Para Leonardo Ribas, gerente de Bioeconomia da Ecoporé, a preservação dessas áreas é um diferencial competitivo. “São diversos os aspectos positivos que o restabelecimento dessas áreas de mata ciliar dentro das propriedades favorece para a sustentabilidade da produção, principalmente na cadeia dos cafés especiais”, explica.

Economia circular no campo

Além da recuperação ambiental, a AF Café implementou um sistema de economia circular que otimiza o uso de insumos. A água utilizada na lavagem dos grãos é reaproveitada como fonte de nutrientes para a própria lavoura, enquanto a palha resultante do processamento é destinada à secagem das safras futuras. Essa gestão eficiente de resíduos reduz o impacto ambiental e diminui os custos operacionais da propriedade.

Com a etapa nacional realizada em Varginha (MG), o setor aguarda agora a grande premiação, que ocorrerá em 29 de novembro na cidade de Cacoal (RO). O sucesso de Rondônia no concurso, cujas diretrizes podem ser acompanhadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, reforça que o futuro do café especial brasileiro passa, obrigatoriamente, pelo respeito aos ciclos da natureza.

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Fonte: g1.globo.com

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