A representação feminina na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) sofrerá uma redução significativa a partir da próxima legislatura, que se inicia em 2027. Apenas duas mulheres foram eleitas para ocupar as 24 cadeiras da Casa, um número que contrasta fortemente com o cenário das eleições anteriores e levanta discussões sobre a participação feminina na política estadual.
Débora Menezes (PL) e Mayra Dias (PSD) foram as únicas deputadas reeleitas, garantindo as duas únicas vagas femininas no parlamento amazonense. Essa composição representa uma queda acentuada em comparação com a legislatura de 2022, quando cinco mulheres haviam sido eleitas, correspondendo a 20,8% do total de assentos. Para 2027, a participação feminina será de apenas 8,3%, evidenciando um retrocesso na busca por maior equilíbrio de gênero na política.
O Cenário da Representação Feminina na Aleam
A diminuição da presença feminina na Aleam é um dado que chama a atenção no contexto das eleições de 2026. A bancada, que antes contava com cinco parlamentares, agora terá menos da metade desse número. Débora Menezes, do Partido Liberal (PL), destacou-se como a deputada estadual mais votada do Amazonas, demonstrando a força de sua base eleitoral. Mayra Dias, do Partido Social Democrático (PSD), também obteve sucesso em sua campanha de reeleição, assegurando sua permanência na Casa.
A análise percentual reforça a gravidade dessa queda. De um quinto das cadeiras ocupadas por mulheres, o parlamento amazonense passará a ter menos de um décimo. Esse recuo pode ter implicações para a diversidade de pautas e perspectivas nos debates legislativos, especialmente em temas que afetam diretamente a vida das mulheres e a igualdade de gênero no estado.
As Razões por Trás da Redução da Bancada
A mudança na composição da bancada feminina não se deu por falta de votos das deputadas que buscavam a reeleição, mas sim por movimentações estratégicas e decisões individuais de outras parlamentares. Joana Darc (União Brasil), que integrava a bancada feminina na Aleam, optou por não disputar a reeleição para a Assembleia, direcionando seus esforços para uma vaga na Câmara dos Deputados, onde foi eleita deputada federal.
Outro fator relevante foi a decisão de Alessandra Campelo, que não buscou a reeleição para a Assembleia Legislativa. Ela integrou a chapa de Omar Aziz (PSD) como candidata a vice-governadora do Amazonas, e a chapa conseguiu avançar para o segundo turno das eleições. Da mesma forma, Dra. Mayara Pinheiro (Republicanos) também não disputou a reeleição para a Aleam, contribuindo para a redução do número de mulheres no parlamento estadual.
Essas escolhas, embora legítimas no jogo político, resultaram em um esvaziamento da representação feminina na esfera legislativa estadual, evidenciando como as dinâmicas eleitorais e as ambições políticas individuais podem impactar a composição de gênero dos órgãos representativos.
A Nova Composição da Assembleia Legislativa do Amazonas
As eleições de 2026 trouxeram uma renovação significativa para a Assembleia Legislativa do Amazonas, com mais de um terço dos assentos sendo ocupados por novos parlamentares, incluindo oito estreantes. A lista completa dos 24 deputados estaduais eleitos demonstra uma diversidade de partidos e perfis políticos que comporão a Casa a partir de 2027.
A composição partidária da Aleam para a próxima legislatura ficou distribuída da seguinte forma: a Federação União Progressista (UB e PP) conquistou 5 cadeiras, seguida pelo PSD com 4, PL e MDB com 3 cada, e Avante também com 3. A Federação Brasil da Esperança (PT e PV) e o Podemos garantiram 2 cadeiras cada, enquanto Republicanos e Agir ficaram com 1 cadeira cada. Essa distribuição reflete as alianças e o desempenho dos partidos nas urnas, moldando o cenário político do estado para os próximos anos.
Desafios e a Importância da Representação
A queda na representação feminina na Aleam para 2027 reacende o debate sobre a importância da presença de mulheres nos espaços de poder. A diversidade de gênero em órgãos legislativos é fundamental para que as políticas públicas reflitam as necessidades e anseios de toda a população, e não apenas de uma parcela dela. A ausência de diferentes perspectivas pode levar à invisibilidade de questões cruciais e à formulação de leis menos inclusivas.
Apesar do retrocesso numérico, a atuação das duas deputadas eleitas, Débora Menezes e Mayra Dias, será ainda mais relevante para garantir que as pautas femininas e a visão de gênero continuem presentes nos debates e decisões da Assembleia. O desafio é grande, mas a continuidade de sua presença é um ponto de partida para futuras conquistas em termos de representatividade.
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Fonte: g1.globo.com