Manaus recebeu neste sábado (10) os primeiros helicópteros enviados pelo governo federal para auxiliar no combate às intensas queimadas que assolam o estado do Amazonas. As duas aeronaves do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pousaram no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, marcando o início de uma operação de reforço aguardada em meio à grave crise ambiental e de saúde pública.
A chegada dos equipamentos ocorre em um momento crítico, com a capital amazonense enfrentando o terceiro dia consecutivo de fumaça densa, que tem comprometido severamente a qualidade do ar e a saúde dos moradores. A iniciativa federal visa somar esforços aos trabalhos já realizados pelas equipes locais, buscando conter o avanço dos incêndios florestais que se alastram pela região.
Mobilização federal e o plano de apoio ao estado
Os dois helicópteros do Ibama são parte de uma frota maior, composta por seis aeronaves, que o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) destinou ao Amazonas. Além dos helicópteros, quatro aviões modelo Air Tractor, especializados no lançamento de água, também devem chegar à capital amazonense ainda neste sábado, ampliando a capacidade de resposta aérea.
O pacote de reforço inclui ainda o envio de 290 brigadistas, que atuarão diretamente no terreno para combater os focos de incêndio. Uma comitiva federal, com a presença do ministro da Integração, Waldez Goés, e representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Justiça e Segurança Pública, e Saúde, além do presidente do Ibama, está em Manaus para acompanhar de perto a situação. O grupo participará de uma reunião na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e realizará um sobrevoo em áreas afetadas pelas queimadas no domingo.
Divergências e o histórico da solicitação de ajuda
A chegada do apoio federal acontece após um período de divergências entre o governo federal e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) sobre a oferta e aceitação de auxílio. Na sexta-feira (9), o comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, havia declarado publicamente que um pedido de apoio federal para combater os incêndios foi negado.
Em resposta, o MMA contestou a afirmação, explicando que o governo amazonense solicitou ajuda em setembro, mas posteriormente dispensou uma equipe federal antes mesmo de seu deslocamento para o campo. O CBMAM havia enviado dois ofícios em 18 de setembro ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, solicitando quatro aeronaves para combate, uma para transporte de equipes e recursos para aquisição ou aluguel de veículos. A resposta, datada de 1º de outubro, indicava a impossibilidade de atendimento imediato por falta de equipamentos e sugeria outras vias para obtenção de recursos.
O MMA detalhou que, em 23 de setembro, o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, recebeu a solicitação do Amazonas. Em resposta, foram acionados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave do Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus). No entanto, em 30 de setembro, após chuvas contribuírem para o controle de alguns focos, o governo estadual comunicou que o apoio do Respad não era mais necessário, resultando na dispensa da equipe federal.
Cenário crítico: fumaça, qualidade do ar e focos de incêndio
O reforço federal é crucial diante do agravamento do cenário no Amazonas. Neste sábado, a concentração de partículas na atmosfera de Manaus atingiu 209,1 µg/m³ em um dos pontos monitorados, superando em 736,4% o limite de 25 µg/m³ considerado bom pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Em diversas regiões da capital, a qualidade do ar foi classificada como péssima, impactando diretamente a saúde respiratória da população.
Desde o início da temporada de incêndios, em setembro, o estado registrou 4.508 focos de queimadas. O Ibama, por sua vez, informou ter extinguido 229 incêndios no Amazonas e continua atuando no combate a outros 20 focos ativos. A falta de chuvas tem sido um fator agravante, contribuindo para a rápida propagação do fogo e a formação da densa fumaça que já afeta mais de 20 cidades, incluindo a capital.
Investimentos e ações de longo prazo para a Amazônia
Além das operações emergenciais de combate, o governo federal apoia o Amazonas por meio de iniciativas de longo prazo, como o projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões. Conforme o MMA, esses recursos são destinados ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros e às ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas, com pagamentos previstos para janeiro de 2025 e março de 2026. Para mais informações sobre as ações do governo federal em meio ambiente, acesse o site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
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Fonte: g1.globo.com