A qualidade do ar no Amazonas segue sob forte impacto de queimadas e incêndios florestais que atingem diferentes regiões do estado. Enquanto localidades do interior enfrentam marcas alarmantes de poluição e fumaça densa, a capital registra níveis considerados moderados de concentração de partículas finas suspensas na atmosfera.
O monitoramento contínuo realizado por plataformas científicas evidencia a disparidade na situação ambiental entre os municípios amazonenses, refletindo tanto a persistência de focos prolongados de fogo quanto a dinâmica de dispersão da fumaça provocada pelos ventos na bacia amazônica.
Impacto severo no interior e o longo combate às chamas
Municípios do interior do estado continuam registrando índices críticos de poluição. Em Itacoatiara, a concentração de partículas finas na atmosfera atingiu marcas elevadas, colocando a cidade entre as localidades com pior qualidade do ar no país durante o monitoramento matutino.
A situação é agravada pela persistência de um incêndio na zona rural, na região do Rio Urubu, que já dura 54 dias. As chamas já consumiram milhares de hectares de vegetação e avançaram sobre territórios tradicionais, como a Terra Indígena Paraná do Arauató, habitada pelo povo Mura.
A complexidade logística e o acesso restrito a áreas isoladas continuam sendo os principais desafios para o controle das chamas. A operação conta com o emprego de aeronaves especializadas e equipes de brigadistas que realizam lançamentos de água diretamente sobre os focos ativos, embora novas frentes de fogo ainda preocupem moradores, como na área da Vila de Lindóia.
Disparidade na qualidade do ar na Região Metropolitana
Enquanto cidades como Barreirinha, Autazes e Parintins registraram índices na categoria péssima de qualidade do ar, a realidade na Região Metropolitana de Manaus apresentou variações significativas entre os municípios vizinhos.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) apontam que localidades como Iranduba, Urucurituba, Silves e Itapiranga amanheceram com o ar classificado como muito ruim. Em contrapartida, cidades como Careiro da Várzea, Manaquiri, Careiro e Maués mantiveram índices moderados, enquanto Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e Novo Airão apresentaram condições consideradas boas.
Em Manaus, os sensores indicaram estabilidade na faixa moderada durante as primeiras horas da manhã, demonstrando que a dispersão atmosférica e a direção dos ventos atenuaram o impacto direto da fumaça densa registrada em outras regiões do estado.
Atuação federal e forças-tarefa no combate ao fogo
Para conter o avanço dos incêndios florestais, o governo federal mantém uma estrutura integrada de combate que envolve órgãos ambientais, forças de segurança e apoio logístico aéreo. A operação utiliza dezenas de aeronaves, embarcações e veículos terrestres para o transporte de brigadistas e o combate direto às chamas em áreas remotas.
A força-tarefa reúne centenas de profissionais do Ibama, do ICMBio, da Força Aérea Brasileira e da Força Nacional, além do custeio de diárias para bombeiros estaduais. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o esforço conjunto já possibilitou a extinção de centenas de focos de incêndio desde o início das operações no estado.
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Fonte: g1.globo.com