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Queimadas no Amazonas: combate foca em executores e ignora financiadores

Queimadas no Amazonas: combate foca em executores e ignora financiadores
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica

A fragilidade no combate ao crime ambiental

O Amazonas enfrenta, mais uma vez, um cenário de crise ambiental severa. Manaus amanheceu coberta por uma densa nuvem de fumaça pelo segundo dia consecutivo na última sexta-feira (9), resultado direto dos incêndios florestais que avançam sobre o interior do estado e a Região Metropolitana. Enquanto a população lida com a pior qualidade do ar do Brasil, especialistas alertam que a estratégia de combate atual é insuficiente: as ações estatais atingem apenas os executores materiais, enquanto os mandantes e financiadores do desmatamento permanecem impunes.

A neblina cinzenta não apenas compromete a visibilidade, mas impõe riscos reais à saúde pública. A Prefeitura de Manaus, diante do agravamento da situação, declarou estado de atenção, recomendando que moradores evitem atividades ao ar livre e utilizem máscaras. Contudo, o problema é estrutural e vai muito além da fumaça que sufoca a capital, revelando uma falha crônica na cadeia de responsabilização ambiental.

O gargalo da investigação patrimonial

Para o doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Antônio Norte, o entrave para conter as queimadas não está na ausência de leis ou na falta de decretos proibitivos. O verdadeiro desafio reside na dificuldade de produzir provas que conectem os focos de calor, detectados via satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aos verdadeiros beneficiários econômicos da destruição.

A investigação, segundo o especialista, precisa ser mais sofisticada. É necessário integrar dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), registros imobiliários e, principalmente, rastrear o fluxo financeiro por trás das queimadas. “Muitas vezes, a investigação alcança apenas o executor material, enquanto os mandantes, financiadores e beneficiários econômicos permanecem distantes da responsabilização”, afirma Norte. Sem essa conexão, a punição na ponta da linha torna-se apenas um paliativo diante da magnitude do crime organizado no campo.

Gestão de risco e articulação federativa

A resposta do Poder Público precisa migrar da lógica reativa, que foca no combate ao fogo apenas durante o auge da estiagem, para uma política permanente de prevenção baseada em ciência e gestão territorial. A governança ambiental deve ser cooperativa, unindo órgãos federais como o Ibama e o Prevfogo, secretarias estaduais, Defesa Civil e prefeituras, conforme estabelece a Lei Complementar nº 140/2011.

O pesquisador reforça que a competência administrativa não pode ser usada como justificativa para omissões. “É fundamental estabelecer planos integrados de contingência e sistemas de alerta precoce. A resposta estatal deve começar diante do risco identificado, e não somente quando a fumaça já compromete a saúde da população”, reitera. Medidas como o fortalecimento de brigadas permanentes e o suporte tecnológico aos municípios remotos são essenciais para descentralizar o combate e garantir que a legislação ambiental seja, de fato, aplicada.

O portal O Amazonas segue acompanhando o desdobramento desta crise ambiental e os impactos diretos na vida dos amazonenses. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextualizadas e relevantes sobre os temas que moldam o futuro da nossa região. Continue conosco para entender os bastidores das políticas públicas e os desafios da preservação em nosso estado.

Fonte: g1.globo.com

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