A Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, na zona Sul de Manaus, foi palco de um momento de profunda comoção e saudade neste domingo (23). Familiares e amigos se reuniram para a missa de 7º dia em memória de Guilherme Pereira Lima Filho, o professor universitário de 65 anos que foi uma das três vítimas da brutal chacina ocorrida no bairro São Geraldo. O crime, que chocou a capital amazonense, ceifou a vida de Guilherme e de outras duas pessoas, deixando uma quarta ferida e em recuperação.
Homenagem e Legado de um Educador
Durante a cerimônia, marcada por um clima de luto e reflexão, as homenagens se voltaram para a trajetória de Guilherme, um profissional dedicado e apaixonado pela educação. Uma semana após o trágico evento, a dor ainda é palpável entre os entes queridos, que optaram por não se manifestar publicamente, buscando privacidade neste momento de dor. A pedagoga Socorro Duarte, em entrevista à Rede Amazônica, resumiu o sentimento de muitos: “Ele era um apaixonado por educação. Ele será eternamente lembrado por nós assim”.
Guilherme Pereira Lima Filho possuía uma carreira acadêmica exemplar. Licenciado em Pedagogia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ele dedicou mais de três décadas de sua vida à instituição, onde atuava desde 1992. Sua expertise se estendia à formação inicial e continuada de professores, e ele era mestre em Ciências da Educação, contribuindo significativamente para o desenvolvimento educacional da região. Sua partida abrupta deixa uma lacuna imensa no meio acadêmico e entre aqueles que tiveram o privilégio de aprender com ele.
A Brutalidade da Chacina e a Investigação
O crime que tirou a vida do professor Guilherme ocorreu na manhã de uma segunda-feira, 17 de agosto, em uma residência no bairro São Geraldo. Além de Guilherme, que morava no primeiro andar e teria subido ao ouvir os gritos, também foram mortos Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos, e sua filha, Isabella Coelho Morais, de 29. A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) indicou que Francisco e Isabella foram as primeiras vítimas do ataque.
A investigação da PC-AM apontou Ezenilson Silva de Sousa como o principal suspeito. Ele foi preso no mesmo dia do crime e confessou os atos. Segundo a polícia, Ezenilson chegou ao imóvel por volta das 5h30, pulou o muro e permaneceu no local por cerca de duas horas. A motivação principal, conforme revelado, foi financeira. Ezenilson teria uma dívida de R$ 19 mil com agiotas e buscou Francisco, seu ex-sogro e pastor, para pedir dinheiro. A recusa de Francisco em ceder ao pedido teria desencadeado a fúria do suspeito. “Tiveram um desentendimento porque esse pastor não quis lhe dar mais dinheiro e, segundo ele, ele perdeu a cabeça e matou esse pastor ainda dentro do seu próprio quarto”, afirmou o delegado responsável pelo caso. Ezenilson confessou ter usado um martelo para atacar as vítimas, objeto que teria sido jogado em um igarapé próximo. Ele também levou um cofre com cerca de R$ 900 e os celulares de três vítimas, usando uma máscara para tentar evitar a identificação.
Repercussão e o Impacto na Comunidade
A chacina gerou grande repercussão e um profundo sentimento de insegurança na comunidade de Manaus. A violência do ataque, ocorrido dentro de uma residência e com motivação tão banal, levantou discussões sobre a criminalidade e a segurança pública na capital. A quarta vítima, Dilma Sampaio, que morava no térreo e também subiu ao ouvir os barulhos, foi atacada, mas sobreviveu. Ela foi socorrida e levada para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, onde seguia internada devido aos ferimentos, em um estado de saúde que mobiliza a torcida por sua recuperação.
A rápida ação da Polícia Civil, que conseguiu prender o suspeito e obter sua confissão ainda no dia do crime, trouxe um alívio parcial à população, mas não diminuiu a dor da perda e o choque diante da brutalidade. O caso serve como um triste lembrete da complexidade dos problemas sociais e econômicos que podem levar a atos extremos de violência, afetando famílias e comunidades inteiras. A memória do professor Guilherme Pereira Lima Filho, um homem dedicado à formação de gerações, permanece como um símbolo da perda irreparável.
Acompanhar os desdobramentos de casos como a chacina em Manaus é fundamental para entender os desafios da segurança pública e a importância de valorizar a vida e o legado de cidadãos como o professor Guilherme. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que impactam o Amazonas e o Brasil, continue acompanhando O Amazonas. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre os fatos que moldam nossa realidade.
Fonte: g1.globo.com