O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), tornou-se o centro de uma controvérsia nas redes sociais após a divulgação de vídeos em que aparece dirigindo um veículo, utilizando o celular para filmar e, simultaneamente, transportando sua filha no banco do passageiro sem o uso do cinto de segurança. As imagens, publicadas pelo próprio prefeito em um domingo, 27 de agosto, enquanto se dirigia a eventos de campanha do então candidato David Almeida (Avante) ao governo do Amazonas, levantaram sérias questões sobre segurança no trânsito e a conduta de figuras públicas. A cena, que mostra a criança inclusive de joelhos em alguns momentos com o carro em movimento, rapidamente gerou debate sobre o cumprimento das leis e o exemplo dado por autoridades.
Condução e Campanha: O Contexto do Vídeo
No material audiovisual que viralizou, Renato Junior interage com a câmera do celular enquanto dirige, mostrando a filha, Olívia, e o veículo, um “fuscão”, como ele mesmo descreve. O prefeito aproveita a gravação para manifestar apoio ao candidato David Almeida, que, à época, havia se afastado da prefeitura para concorrer ao cargo de governador do Amazonas. “Olha aí, eu e a Olívia. No fuscão. Olha o Fuscão aí. É David 70. Bora, filha. É David 70. Domingo de carreata, de bandeiraço. Domingo de David governador. Vamos para a vitória”, declara o prefeito em um dos trechos, evidenciando o contexto de campanha eleitoral da gravação. A naturalidade com que a cena é filmada e compartilhada, no entanto, contrasta com as infrações de trânsito evidentes.
Infrações Graves e Riscos Ignorados
As ações do prefeito Renato Junior no vídeo configuram, no mínimo, duas infrações graves conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A primeira delas é o uso do celular ao volante. O CTB classifica como infração gravíssima o ato de segurar ou manusear o aparelho enquanto dirige, com previsão de multa de R$ 293,47 e a adição de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mesmo o simples ato de usar o celular (sem manusear) é considerado infração média, com multa de R$ 130,16 e 4 pontos na CNH.
A segunda infração, e talvez a mais preocupante, é o transporte da filha sem o cinto de segurança no banco da frente. O uso do cinto é obrigatório para todos os ocupantes do veículo, em qualquer assento, e sua ausência é uma infração grave. Além da penalidade legal, a falta do cinto expõe a criança a riscos gravíssimos em caso de colisão ou freada brusca, potencializando lesões e até mesmo fatalidades. A imagem da criança de joelhos no banco, sem qualquer contenção, amplifica a percepção de perigo e irresponsabilidade.
O Silêncio das Autoridades e a Repercussão Pública
Após a divulgação do vídeo, a reportagem do g1 solicitou posicionamento da Prefeitura de Manaus, do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Até a publicação inicial da notícia, nenhuma das instituições havia retornado com uma nota oficial. Esse silêncio, em casos de figuras públicas envolvidas em controvérsias, muitas vezes alimenta ainda mais o debate público e a cobrança por transparência e responsabilidade.
Nas redes sociais, o vídeo gerou uma enxurrada de comentários, dividindo opiniões entre aqueles que criticavam veementemente a conduta do prefeito e outros que minimizavam a situação. No entanto, a maioria das manifestações apontava para a necessidade de que autoridades deem o exemplo no cumprimento das leis, especialmente as de trânsito, que visam à segurança coletiva. A repercussão demonstra como a sociedade está atenta à conduta de seus representantes e como a imagem pública pode ser rapidamente afetada por atos que contrariam normas básicas de segurança e civilidade.
O episódio envolvendo o prefeito de Manaus serve como um alerta sobre a importância da conscientização no trânsito e o papel fundamental que figuras públicas desempenham na formação de hábitos e na observância das leis. Independentemente do cargo ou posição social, as regras de trânsito são universais e existem para proteger vidas. Dirigir com atenção, sem distrações como o celular, e garantir que todos os passageiros, especialmente crianças, estejam devidamente seguros com o cinto de segurança ou dispositivos de retenção adequados, são atitudes que salvam vidas.
A exposição de uma criança a riscos desnecessários, como visto no vídeo, é particularmente alarmante e reforça a necessidade de uma cultura de segurança viária que transcenda o mero cumprimento da lei para evitar multas, mas que se baseie na preservação da vida. O caso de Renato Junior, embora isolado, reflete um desafio maior na sociedade brasileira: a internalização da segurança no trânsito como um valor inegociável.
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Fonte: g1.globo.com