Uma operação do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil resultou na prisão de três policiais militares no Porto de Manaus, localizado na região central da capital amazonense, na terça-feira (21). Os agentes são investigados por suspeita de extorsão e tráfico de drogas, em um caso que expõe a complexidade e os desafios enfrentados pelas forças de segurança pública na região.
De acordo com as informações preliminares divulgadas pela Polícia Civil, os policiais militares teriam se deslocado até o porto com a intenção de abordar uma mulher, identificada como Gabriele Alves de Sousa, que chegava à cidade com uma carga de entorpecentes. O objetivo, segundo as investigações, seria se apropriar do material ilícito, uma prática conhecida no jargão policial como “arrocho”, onde agentes de segurança desviam drogas ou outros bens apreendidos para benefício próprio ou de terceiros.
A operação do DRCO e a interceptação
A ação do DRCO foi desencadeada após o recebimento de denúncias anônimas que indicavam a movimentação de um grupo de policiais militares em uma caminhonete preta. A informação era de que eles estariam a caminho do porto para interceptar um traficante que desembarcaria de uma lancha. Diante da gravidade da denúncia, equipes especializadas do Departamento de Repressão ao Crime Organizado foram mobilizadas para monitorar a área.
Durante o patrulhamento e a vigilância nas proximidades do porto, os policiais civis identificaram o veículo suspeito. Uma consulta ao sistema de segurança pública revelou que a placa da caminhonete era “fria”, ou seja, não correspondia legalmente ao automóvel, levantando ainda mais as suspeitas sobre a conduta dos ocupantes. O veículo foi observado circulando diversas vezes pela região, em uma aparente tentativa de identificar o alvo e o momento ideal para a abordagem.
A abordagem e as prisões dos policiais militares
Por volta das 16h, a dinâmica da operação mudou. Dois ocupantes da caminhonete preta desceram do veículo e se dirigiram a Gabriele Alves de Sousa, que havia acabado de desembarcar da embarcação. A mulher foi abordada pelos suspeitos e, em seguida, levada até a caminhonete. Foi nesse momento que as equipes do DRCO agiram, realizando a abordagem dos envolvidos.
Durante a revista, foram encontrados com Gabriele tabletes de uma substância que apresentava características de droga. Dentro da caminhonete utilizada pelos policiais militares, os agentes civis apreenderam pistolas, a quantia de R$ 5.464 em dinheiro e diversos materiais que, conforme a investigação, seriam utilizados para acondicionar e embalar entorpecentes. Além disso, foi localizada a chave de um carro branco, que estaria sendo empregado como veículo de apoio durante a ação criminosa.
Os envolvidos e o andamento da investigação
Os três policiais militares receberam voz de prisão no local e foram identificados como o 3º sargento Kelliton Bispo da Silva, o 3º sargento Geovane da Silva Cruz e o cabo Reginaldo Costa Maciel. Eles foram conduzidos à sede do DRCO e ficaram à disposição da autoridade policial para os procedimentos cabíveis. Gabriele Alves de Sousa também foi levada ao departamento, sendo suspeita de tráfico de drogas em razão dos entorpecentes encontrados em sua posse.
Todo o material apreendido foi devidamente apresentado na delegacia, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil, que buscará aprofundar as apurações sobre a extensão do envolvimento dos policiais e de outros possíveis participantes no esquema. A reportagem de O Amazonas tentou contato com a Polícia Militar para obter um posicionamento sobre a ocorrência envolvendo seus membros, mas até o momento da publicação desta matéria, não obteve resposta. Para mais informações sobre segurança pública no estado, clique aqui.
Este incidente ressalta a importância da vigilância constante e da atuação de órgãos de controle para coibir desvios de conduta dentro das instituições de segurança. A confiança da população nas forças policiais é fundamental, e casos como este exigem uma resposta rigorosa e transparente por parte das autoridades. O Amazonas continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação, trazendo as informações mais relevantes e contextualizadas para seus leitores.
Fonte: g1.globo.com