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Expansão global do PIX: Banco Central estuda interligação com sistemas internacionais

Expansão global do PIX: Banco Central estuda interligação com sistemas internacionais
© Bruno Peres/Agência Brasil

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos que revolucionou as transações financeiras no Brasil, prepara-se para um passo ambicioso no cenário global. O Banco Central (BC) do Brasil anunciou que avalia a interligação da plataforma com sistemas de pagamentos de outros países e mecanismos multilaterais globais. A iniciativa, detalhada no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado nesta segunda-feira (10), visa reduzir tarifas e democratizar o acesso a transações internacionais, prometendo transformar a forma como brasileiros enviam e recebem dinheiro do exterior.

A proposta do BC responde à crescente demanda por soluções mais eficientes e econômicas para remessas e pagamentos transfronteiriços. Atualmente, essas operações envolvem custos elevados e prazos demorados, impactando pessoas físicas e empresas. Com a expansão global, a agilidade e simplicidade do Pix no mercado doméstico devem ser replicadas mundialmente, oferecendo uma alternativa competitiva aos modelos tradicionais.

A Ambição de um Pix Sem Fronteiras

As discussões em curso no Banco Central abrangem tanto interligações bilaterais, que conectariam o Pix diretamente a sistemas de pagamentos de países específicos, quanto a participação em hubs multilaterais. Esses hubs funcionariam como plataformas centrais, facilitando a comunicação e a liquidação de transações entre múltiplos sistemas nacionais de pagamentos instantâneos. O objetivo primordial é permitir que remessas internacionais e compras em outros países sejam realizadas com a disponibilização dos recursos em moeda local em questão de segundos.

Essa visão de um Pix global representa um avanço na infraestrutura financeira internacional. Ao diminuir barreiras e custos de transferências entre nações, o BC busca beneficiar consumidores com tarifas mais baixas e impulsionar o comércio exterior. A agilidade pode otimizar cadeias de suprimentos e facilitar negócios em um ambiente digitalizado, reforçando a posição do Brasil como um polo de inovação financeira.

Inovações Além das Fronteiras: Pix Offline e Automático

Além da internacionalização, a agenda de inovações do Banco Central para o Pix inclui funcionalidades que prometem ampliar ainda mais a versatilidade do sistema. Entre elas, destaca-se a possibilidade de realizar transações por aproximação offline, ou seja, sem a necessidade de conexão com a internet. Essa medida pode ser particularmente útil em regiões com conectividade limitada ou em situações de emergência, garantindo a continuidade das operações financeiras.

Outra inovação relevante é a implementação do Pix automático, que poderá substituir o tradicional débito em conta para pagamentos recorrentes. Essa funcionalidade simplificaria o gerenciamento de contas e assinaturas, oferecendo mais controle e praticidade aos usuários. O BC também informou que já monitora os modelos de transações internacionais com Pix que vêm sendo implementadas por empresas nacionais e estrangeiras, indicando um interesse crescente do mercado em soluções transfronteiriças.

Pix e o Mercado de Crédito: Novas Garantias e Redução de Custos

O Banco Central também está explorando a integração do Pix ao mercado de crédito, uma iniciativa com potencial para impactar positivamente o acesso a financiamentos. A ideia é permitir que os “fluxos futuros de Pix” sejam utilizados como garantias para empréstimos. Isso significa que empresas, especialmente aquelas que utilizam intensamente o Pix em suas operações, poderiam oferecer o volume de suas futuras transações como lastro para obter crédito.

Essa medida é projetada para melhorar a qualidade das garantias oferecidas, o que, por sua vez, pode levar à redução do custo do crédito. Para pequenas e médias empresas, que muitas vezes enfrentam dificuldades em acessar financiamentos a taxas competitivas, essa inovação pode representar um alívio financeiro considerável, impulsionando investimentos e crescimento econômico.

Combate a Abusos e Fortalecimento da Segurança no Pix

Apesar do sucesso do Pix, o Banco Central tem identificado o uso indevido do campo de mensagens das transações para fins de ofensas, ameaças ou intimidações, muitas vezes associadas a transferências de valores irrisórios. Para coibir essa prática, que desvirtua a finalidade original do recurso, o BC criou um grupo de trabalho dedicado a discutir alternativas para o campo de mensagens, avaliando a necessidade de medidas regulamentares.

Paralelamente, a instituição monetária prevê uma ambiciosa agenda de segurança, com oito medidas para aprimorar a proteção das transações. Entre elas, destaca-se a criação de critérios objetivos mínimos para a definição de transações suspeitas de fraude, que atualmente variam entre as instituições. O BC também desenvolverá um indicador de “probabilidade de fraude no Pix”, calculado em tempo real com base em inteligência artificial (machine learning), que será disponibilizado aos participantes para fortalecer seus sistemas antifraude.

Outras mudanças incluem a padronização obrigatória dos alertas de fraudes e o aprimoramento do fluxo de informações para bloqueios cautelares de transações suspeitas. A criação de um canal direto e automatizado entre as instituições financeiras permitirá uma troca fluida e tempestiva de dados, aumentando a assertividade na detecção e prevenção de golpes. Além disso, o rol de medidas cautelares será ampliado, podendo incluir a restrição de cadastro de novas chaves Pix para instituições que comprometam a segurança do sistema.

O Pix no Cenário Geopolítico: Reação dos EUA e Soberania Financeira

A ascensão do Pix no cenário global não passou despercebida, inclusive nos Estados Unidos. O sistema brasileiro foi, inclusive, apontado como uma das justificativas para o recente aumento de 25% nas tarifas contra parte dos produtos do Brasil, com a Casa Branca alegando que o Pix seria uma “prática desleal” no mercado financeiro. O governo brasileiro, por sua vez, refuta veementemente esse argumento, defendendo a inovação e a competitividade do sistema.

Especialistas consultados pela Agência Brasil ponderam que a ação do governo norte-americano contra o Pix pode estar ligada ao fato de o modelo nacional desafiar o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura de pagamentos eletrônicos. Ao desenvolver estruturas financeiras independentes, o Brasil reduz a capacidade dos EUA de utilizar sanções financeiras como ferramenta de pressão política, fortalecendo a soberania econômica do país em um contexto geopolítico complexo.

A expansão global do Pix, portanto, transcende a mera conveniência financeira, posicionando o Brasil como um ator relevante na redefinição das transações internacionais. Acompanhe O Amazonas para ficar por dentro de todas as atualizações sobre o Pix, economia, tecnologia e os desdobramentos que impactam diretamente o seu dia a dia, com análises aprofundadas e informação de qualidade.

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