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Pecuaristas de Roraima adotam estratégia de engorda no pasto para enfrentar a seca e impulsionar a produção

Pecuaristas de Roraima adotam estratégia de engorda no pasto para enfrentar a seca e impulsionar a produção
Rebanho bovino em Roraima Naamã Mourão/Rede Amazônica

Com a iminência de uma seca extrema, produtores rurais de Roraima estão intensificando o uso da Terminação Intensiva a Pasto (TIP) para assegurar a saúde e o ganho de peso do rebanho bovino. Essa técnica, que combina a criação tradicional em pastagens com o fornecimento estratégico de ração concentrada em cochos, surge como uma resposta eficaz para manter a produtividade e evitar as perdas de peso que historicamente afetam o gado durante os períodos de estiagem.

A iniciativa ganha relevância em um estado onde o rebanho bovino ultrapassou a marca de 1,3 milhão de cabeças, registrando um crescimento superior a 85% em apenas sete anos, conforme dados da Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima (Aderr). O avanço da pecuária exige soluções inovadoras para conciliar a expansão da produção com a sustentabilidade e a resiliência climática.

Terminação Intensiva a Pasto: um método eficiente para a engorda

A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) é uma metodologia de alimentação focada na fase final de engorda dos animais. Diferentemente do confinamento tradicional, onde o gado é mantido em currais, a TIP permite que os animais permaneçam soltos nas áreas de pastagem, recebendo a suplementação diretamente nos cochos. Nesse sistema, a vegetação do pasto cumpre um papel fundamental como fonte de fibra e suporte físico para a digestão, enquanto a ração concentrada fornece a energia e a proteína essenciais para um rápido e eficiente ganho de carcaça.

O zootecnista Diógenes Cardoso explica que a TIP foi concebida há cerca de dez anos, inicialmente como uma estratégia para o período seco, visando combater o conhecido “efeito sanfona” – a perda de peso do gado na estiagem e a subsequente recuperação nas águas. No entanto, a viabilidade e os resultados positivos da técnica a transformaram em uma prática adotada durante todo o ano em diversas regiões, incluindo Roraima. Para mais informações sobre a técnica, consulte a Embrapa Gado de Corte.

Desafios climáticos e a visão do produtor

Em Mucajaí, município do Sul de Roraima, o pecuarista Diezo Müller é um exemplo da transição e adaptação do setor. Com mais de 1,3 mil hectares dedicados à criação de gado de corte e um rebanho que supera mil cabeças, Diezo migrou totalmente para a pecuária intensiva há três anos, após focar exclusivamente na lavoura de grãos. Ele destaca a melhoria do mercado e o apoio de cooperativas como fatores que facilitaram o escoamento da produção.

Contudo, as mudanças climáticas e a perspectiva de uma seca severa são preocupações constantes. “As mudanças climáticas são algo que preocupa a todos nós. Está se mostrando uma seca extrema, que já está chegando com força. A nossa maior preocupação é sempre tentar amenizar a questão da lotação da fazenda e nos preocuparmos todos, porque o prejuízo é muito grande se não nos prepararmos antes da chegada dela”, afirma Diezo, ressaltando a importância de estratégias preventivas.

Benefícios e planejamento da Terminação Intensiva a Pasto

Apesar de exigir um planejamento financeiro e operacional cuidadoso, a TIP oferece vantagens significativas. O consumo de ração é elevado, demandando que o produtor armazene insumos suficientes para manter a alimentação do gado por 70 a 140 dias, dependendo das metas de peso para o abate. O zootecnista Diógenes Cardoso detalha que, nesse sistema, o animal recebe de 1,8% a 1,9% do seu peso vivo em alimento concentrado.

Os benefícios são notáveis: o animal permanece em seu ambiente natural, o que reduz o estresse e os riscos de doenças. O ganho de peso e de carcaça pode ser igual ou até superior ao do confinamento tradicional, com uma rentabilidade consideravelmente maior. A crescente oferta e a redução no custo de insumos, como a casquinha de soja peletizada, impulsionaram a adoção da TIP em Roraima no último ano.

O futuro da pecuária em Roraima em debate

A busca por soluções para o período de estiagem e o aprimoramento genético do rebanho serão pautas centrais no Roraima Beef Summit 2026. O evento técnico, agendado para 3 de setembro no Centro Amazônico de Fronteiras (CAF) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista, reunirá pecuaristas, pesquisadores e especialistas para debater o futuro da produção de carne no estado.

O médico veterinário Ademir Oliveira, um dos organizadores, enfatiza que o foco deste ano será a intersecção entre genética e nutrição. “Para ter um boi de corte de qualidade, precisamos escolher touros de qualidade que vão produzir bezerros de qualidade […] E, por fim, as estratégias para passar por este período de seca, com suplementação e manejo a pasto, para que o produtor passe pela estiagem sem sofrer tanto com as intempéries”, conclui Oliveira, destacando a importância de um manejo integrado para a resiliência da pecuária roraimense.

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Fonte: g1.globo.com

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