A capital amazonense enfrenta nesta quinta-feira (20) uma significativa paralisação dos trabalhadores do transporte especial, responsáveis por conduzir milhares de funcionários ao Polo Industrial de Manaus (PIM). A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) emitiu um alerta sobre os graves riscos que a continuidade do movimento pode trazer à produção das fábricas, ao abastecimento e ao cumprimento de prazos, impactando diretamente a economia regional.
Desde as primeiras horas da manhã, a mobilização de 100% da categoria tem comprometido o deslocamento dos trabalhadores, gerando reflexos imediatos no funcionamento das empresas. A situação acende um sinal de alerta para as autoridades e o setor produtivo, que veem na interrupção do transporte uma ameaça à estabilidade industrial e aos empregos na região.
A paralisação que afeta o coração econômico de Manaus
O Polo Industrial de Manaus é um dos pilares da economia do Amazonas e do Brasil, abrigando centenas de fábricas que produzem bens de consumo eletrônicos, motocicletas, componentes e outros produtos. A logística de transporte de seus colaboradores é vital para a manutenção da produtividade. Quando essa engrenagem falha, como ocorre com a atual paralisação, o impacto se propaga por toda a cadeia produtiva.
A Suframa, órgão responsável pela administração da Zona Franca, expressou profunda preocupação. Em nota, a autarquia destacou que a interrupção do fluxo de trabalhadores pode levar à redução ou até mesmo à paralisação completa de linhas de produção, além de comprometer o abastecimento de insumos e o escoamento de produtos acabados, com sérias consequências para os compromissos comerciais das empresas.
Reivindicações dos trabalhadores e o impasse nas negociações
A paralisação é um reflexo do impasse nas negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus (Sindespecial) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento do Estado do Amazonas (Sifetran). A categoria rejeitou a proposta de reajuste salarial de 3% apresentada pelo setor patronal, considerada insuficiente diante das perdas acumuladas nos últimos anos, conforme relatos de motoristas.
Além de um reajuste salarial mais justo, os trabalhadores reivindicam a redução da jornada de trabalho, a concessão e o reajuste do auxílio-alimentação, e melhorias nas condições gerais de trabalho. Um motorista identificado como Antônio, que participa do movimento, afirmou à Rede Amazônica que a luta é por um salário digno e, principalmente, pela refeição do pessoal, buscando o apoio da sociedade para suas demandas.
O alerta da Suframa e o impacto na cadeia produtiva
Diante do cenário de incerteza, a Suframa agiu prontamente, acionando a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT-11). O objetivo é que esses órgãos acompanhem a situação e tomem as medidas cabíveis para garantir o acesso ao Distrito Industrial, sem, contudo, comprometer o direito constitucional de manifestação dos trabalhadores.
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) reforçou o coro de preocupação, alertando que algumas indústrias já enfrentam paralisações de linhas de produção devido à dificuldade de deslocamento dos colaboradores. A entidade sublinhou a importância do diálogo entre as partes para uma solução célere, visando evitar o agravamento dos prejuízos para as empresas, os trabalhadores e a economia do estado.
A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) também está monitorando a situação, realizando um levantamento junto às suas associadas para mensurar os efeitos da paralisação. A manutenção da competitividade do PIM depende diretamente de condições regulares de mobilidade e logística, fatores essenciais para o cumprimento dos compromissos de produção.
Mobilização e desdobramentos em meio ao caos no trânsito
A paralisação se manifesta em pelo menos 12 pontos estratégicos da capital, causando grandes transtornos no trânsito. Regiões como a Avenida Grande Circular, Bola da Suframa, Bola da Samsung (principal ponto de concentração), Avenida Max Teixeira, Torquato Tapajós, Avenida Pedro Teixeira (Sambódromo) e a cabeceira da Ponte Rio Negro foram afetadas por congestionamentos e bloqueios.
Trabalhadores como Francisco, que depende do transporte para chegar ao PIM, foram pegos de surpresa. Acostumado a embarcar às 5h da manhã, ele relatou ter sido informado sobre o problema somente ao chegar ao local, gerando incerteza sobre como chegaria ao trabalho e cumpriria seu horário. O IMMU, por sua vez, destacou que agentes de trânsito estão nos locais para orientar os condutores e tentar organizar o fluxo.
A Suframa reafirmou seu compromisso com a preservação da atividade industrial, dos empregos e do desenvolvimento regional, mantendo-se em diálogo com o setor produtivo. A expectativa é que as negociações avancem e uma solução seja encontrada rapidamente para evitar um colapso na produção e minimizar os impactos econômicos e sociais para Manaus e o Amazonas.
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Fonte: g1.globo.com