PUBLICIDADE

Polícia Federal apreende vultosa quantia em dinheiro e bens em operação contra Adail Filho e prefeito de Coari

Polícia Federal apreende vultosa quantia em dinheiro e bens em operação contra Adail Filho e prefeito de Coari
1 de 5 Dinheiro apreendido pela PF em endereços alvos de operação no Amazonas — Foto: Reprodução/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na última quarta-feira, dia 16, a Operação Dinastia do Lago, uma ação de grande envergadura que resultou na apreensão de quase R$ 1 milhão em espécie, além de dólares, euros, veículos e objetos de luxo. A investigação mira o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), e seu filho, o deputado federal Adail Filho (MDB), em um desdobramento que sacode o cenário político do Amazonas e levanta sérias questões sobre a gestão pública no município.

A operação, que mobilizou agentes federais em Manaus e Coari, busca desvendar um complexo esquema de desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. As suspeitas recaem sobre contratos da gestão municipal de Coari, indicando uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros para fraudar licitações e ocultar a origem de valores ilícitos.

Apreensões milionárias da Operação Dinastia do Lago

Os resultados da Operação Dinastia do Lago impressionam pela quantidade e variedade dos bens apreendidos. No total, a Polícia Federal confiscou cerca de R$ 990 mil em moeda nacional, US$ 10 mil em dólares americanos e € 1.255 em euros. Além do dinheiro, foram apreendidos 21 veículos e diversos objetos de luxo, como relógios e joias, cujos valores ainda não foram estimados.

Em Manaus, os agentes federais concentraram as buscas em endereços ligados aos investigados, onde foram encontrados R$ 352.750, os US$ 10 mil e os € 1.255, além de 11 carros. Já no município de Coari, foco da gestão investigada, a PF localizou aproximadamente R$ 637.750 e mais 10 veículos, evidenciando a capilaridade do suposto esquema financeiro.

Alvos da investigação e suas implicações políticas

Os principais alvos da Operação Dinastia do Lago são figuras políticas proeminentes no Amazonas. Adail Pinheiro, prefeito de Coari, e seu filho, Adail Filho, deputado federal, são investigados por suspeitas de envolvimento em práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. A gravidade das acusações levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar o afastamento de Adail Pinheiro e de secretários municipais de seus cargos, por um período de 90 dias.

Adail Filho, por sua vez, foi alvo de mandados de busca e apreensão, mas mantém seu mandato na Câmara dos Deputados. A situação gera um forte impacto na política amazonense, especialmente em Coari, um município estratégico para o estado. A defesa dos investigados, representada pelo advogado Fabricio de Melo Parente, manifestou surpresa com os mandados e considerou o afastamento do prefeito desnecessário, afirmando que buscarão acesso ao conteúdo da investigação para apresentar as medidas cabíveis. A defesa reitera que os mandados não configuram culpa e que os investigados não têm relação com os fatos, confiando nas instituições para o esclarecimento do caso.

A gênese da investigação e seus desdobramentos

A Operação Dinastia do Lago é um desdobramento de um inquérito maior, aberto no STF, que começou a investigar Adail Filho por corrupção e lavagem de dinheiro. O ponto de partida foi a prisão em flagrante de três empresários — Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho — no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Na ocasião, eles transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie e não conseguiram comprovar a origem do dinheiro.

A análise de documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos com os empresários, autorizada judicialmente, revelou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis ligações com contratos da Prefeitura de Coari. As apurações indicaram a existência de empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com o município, supostamente utilizadas para fraudar licitações. O inquérito também abrange repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025, o que amplia o escopo da investigação.

Um despacho do ministro Alexandre de Moraes detalhou que os documentos e dispositivos apreendidos apontaram repasses financeiros de pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício tanto do deputado federal Adail Filho quanto de seu pai, Adail Pinheiro. A complexidade dos fatos e a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas levaram o STF a prorrogar a investigação por mais 60 dias em 24 de junho de 2026, atendendo a um pedido da Polícia Federal (PF). Os crimes apurados incluem corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato, refletindo a seriedade das acusações que permeiam a gestão pública em Coari.

A Operação Dinastia do Lago e suas ramificações ressaltam a importância da fiscalização e do combate à corrupção para a integridade da administração pública e a confiança dos cidadãos nas instituições. O desenrolar deste caso será acompanhado de perto, e O Amazonas continuará a trazer as informações mais relevantes e contextualizadas sobre este e outros temas que impactam a vida da nossa região. Mantenha-se informado com a credibilidade e a profundidade que você encontra em nosso portal.

Fonte: g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE