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Motim em núcleo prisional da PM em Manaus leva à investigação da conduta de policiais

Motim em núcleo prisional da PM em Manaus leva à investigação da conduta de policiais
1 de 2 Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), localizado na BR-174, zona rural de Manaus — Foto: Reprodução/Globoplay

A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) anunciaram a instauração de procedimentos investigativos para apurar a conduta dos policiais militares custodiados no Núcleo Prisional da PM, em Manaus. A decisão surge após um motim que se estendeu da tarde de terça-feira (1º) até a madrugada desta quarta-feira (2), resultando na tomada de reféns e em danos à estrutura da unidade. As apurações buscarão esclarecer as circunstâncias da revolta e identificar possíveis crimes cometidos pelos internos.

O incidente, que mobilizou um grande aparato de segurança e gerou apreensão na capital amazonense, reacende o debate sobre a gestão de unidades prisionais destinadas a agentes da lei. A situação é delicada, pois envolve a disciplina interna da corporação e a imagem das instituições de segurança pública perante a sociedade.

Revolta e intervenção no motim prisional

O motim teve início quando quatro policiais militares, que estavam de guarda na unidade localizada na BR-174, zona rural de Manaus, foram feitos reféns pelos próprios internos – também policiais militares presos. A tensão permaneceu por horas, com negociações acompanhadas de perto pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), evidenciando a gravidade do cenário.

A situação foi controlada por volta de 1h30 da madrugada de quarta-feira, após a intervenção do 1º Batalhão de Choque. A operação contou com a participação de cerca de 120 policiais de unidades especializadas, incluindo o Batalhão de Operações Especiais (Bope), Canil, Cavalaria, Grupo Marte, Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e o próprio 1º Batalhão de Choque. A ação resultou na libertação dos quatro reféns, um major e três soldados, que receberam atendimento, e felizmente, ninguém ficou ferido durante a retomada do controle.

Motivações e antecedentes da rebelião

As primeiras informações apontam que o sargento Davi Praia foi identificado como um dos líderes do motim. A revolta, segundo apurações, teria sido motivada por mudanças na gestão da unidade prisional. Familiares dos internos relataram, em áudios, que a entrada de um novo major no comando da Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM) teria alterado a rotina e o tratamento dos detentos, que antes estariam em um ambiente mais estável.

Entre as queixas levantadas, destacam-se a mudança do dia de visitas, que teria sido alterado de domingo para sexta-feira, e a retirada de benefícios que não foram detalhados. Durante a ação, os internos também causaram danos materiais, quebrando câmeras de segurança e danificando celas da unidade. Após a liberação dos reféns, as forças de segurança permaneceram no local para garantir a ordem e o controle total da instalação.

Histórico da unidade e desafios da gestão

Este motim ocorre apenas quatro meses após a transferência de 71 policiais militares presos para a atual unidade da BR-174. A mudança, ocorrida em maio deste ano, foi uma resposta à desativação do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado na Zona Norte de Manaus, que enfrentou uma fuga de 23 internos em fevereiro. A transferência foi coordenada pelo Ministério Público do Amazonas, em parceria com a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), envolvendo mais de 100 agentes.

A atual unidade funciona no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). A fuga anterior resultou em investigações, prisão de policiais suspeitos de facilitar a saída dos detentos e a exclusão do então responsável pelo núcleo, major Galeno Edmilson de Souza Jales, da corporação. A recorrência de incidentes em prisões militares sublinha a complexidade de gerir um sistema que lida com a custódia de agentes que, em tese, deveriam zelar pela lei e ordem.

Desdobramentos e o futuro da segurança prisional

Os procedimentos investigativos, que serão abertos pela Polícia Militar, terão suas informações encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e à Justiça Militar. Este rigor na apuração é fundamental para reafirmar a disciplina dentro da corporação e garantir que a conduta de todos os envolvidos, tanto os amotinados quanto a gestão da unidade, seja devidamente examinada. A sociedade espera transparência e ações eficazes para evitar que tais episódios se repitam, especialmente em um ambiente que deveria ser exemplar em termos de segurança e ordem.

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Fonte: g1.globo.com

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