A cultura do Amazonas perdeu um de seus nomes mais promissores com a morte do ator e diretor teatral Matheus Sabbá, ocorrida na quarta-feira (28), aos 30 anos. A confirmação do falecimento foi feita pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), gerando forte abalo na comunidade artística local e nacional. Até o momento, a causa e o local da morte não foram divulgados pelas autoridades ou familiares.
Formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o artista construiu uma sólida trajetória voltada para o teatro musical e para a ópera. Sua atuação ultrapassou as fronteiras regionais, marcando presença em palcos de relevância nacional como o Festival Amazonas de Ópera (FAO), o Festival Internacional de Música de Santa Catarina (Femusc), o Theatro Municipal de São Paulo e o Theatro São Pedro.
Trajetória de destaque no teatro musical e na ópera
Um dos momentos de maior projeção na carreira de Matheus foi a direção do musical A Caixa Mágica do Natal, trabalho reconhecido com premiações importantes no Cenym e no Prêmio Brasil Musical. Além do teatro, o artista expandiu sua atuação para o audiovisual, integrando o elenco do filme O Último Azul (2024), onde trabalhou ao lado de nomes consagrados como Rodrigo Santoro.
Sua relação com a ópera também rendeu frutos expressivos nos últimos anos. Em 2025, atuou como assistente de direção na montagem de Madama Butterfly, apresentada no Femusc. No início deste ano, assumiu a direção de cena da ópera Onheama, obra de João Guilherme Ripper que abordou temas profundos como ancestralidade, conexão com a natureza e o protagonismo indígena por meio da guerreira Iporangaba.
Repercussão e homenagens da classe artística
A partida precoce do diretor mobilizou dezenas de artistas, amigos e instituições culturais nas redes sociais. O ator amazonense Adanilo publicou uma homenagem relembrando o perfil alegre e o companheirismo do amigo. A cantora e compositora Cella destacou a influência direta que Matheus exerceu em sua formação artística, afirmando que ele ajudou a revolucionar o fazer teatral no estado.
Outros nomes da cultura regional, como as cantoras Márcia Novo e Lucilene Castro, manifestaram pesar e solidariedade aos familiares. A Federação de Teatro do Amazonas (Fetam), a Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e o Festival Internacional de Música de Santa Catarina emitiram notas oficiais exaltando a contribuição do profissional para o desenvolvimento das artes cênicas na região norte.
Despedida e ligação com a cultura popular
Além de sua atuação nos grandes palcos líricos e dramáticos, Matheus manteve vínculos com manifestações populares de Manaus. A escola de samba Unidos do Alvorada prestou homenagens públicas lembrando a participação do artista na comissão de frente da bateria, estendendo condolências ao seu pai, William Sabbá, e à sua madrasta, Maria Aparecida Sabbá.
O sepultamento do artista está programado para acontecer em Manaus, embora os detalhes e horários da cerimônia não tenham sido divulgados até o fechamento desta reportagem. A perda de Matheus Sabbá deixa uma lacuna profunda na cena cultural amazonense, eternizando sua dedicação incansável ao teatro e à ópera.
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Fonte: g1.globo.com