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Itacoatiara enfrenta dois grandes incêndios florestais e tem qualidade do ar comprometida

Itacoatiara enfrenta dois grandes incêndios florestais e tem qualidade do ar comprometida
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica

A cidade de Itacoatiara, no interior do Amazonas, vive dias de apreensão e sufoco com a propagação de fumaça resultante de dois grandes incêndios florestais. A situação, que já se estende por quase três semanas em um dos focos, tem levado a qualidade do ar a níveis alarmantes, impactando diretamente a saúde e o cotidiano dos moradores.

A crise ambiental se agrava com a dificuldade de acesso às áreas atingidas e a complexidade do combate às chamas, que consomem vasta extensão de mata e liberam uma densa nuvem de fumaça sobre a área urbana do município.

Ameaça dupla: focos em Jacarezinho e Canaçari

Os incêndios que castigam Itacoatiara são distintos, mas ocorrem simultaneamente, sobrecarregando os recursos de combate. Um dos focos mais recentes foi registrado na última quarta-feira (7), às margens da rodovia AM-010, próximo ao bairro Jacarezinho, na entrada da cidade. Este incêndio já devastou 211,29 hectares, uma área equivalente a aproximadamente 296 campos de futebol, segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O outro foco, ainda mais persistente, teve início em 19 de setembro, na região do Lago do Canaçari, e completou nesta quinta-feira (8) seu 19º dia ativo. A área atingida por este incêndio é significativamente maior, alcançando cerca de 1.300 hectares, o que corresponde a aproximadamente 1.820 campos de futebol. A fumaça gerada por ambos os focos alcança bairros como Jacarezinho e Poranga, além de trechos da Estrada do Canaçari e da Estrada da Penha, cobrindo a cidade em um manto cinzento.

Qualidade do ar em nível crítico e alerta da Defesa Civil

A consequência mais imediata e preocupante dos incêndios é a drástica piora na qualidade do ar. Durante a madrugada, a concentração de partículas poluentes em Itacoatiara ultrapassou a marca de 500 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Para contextualizar, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), considera a qualidade do ar como boa quando a concentração de partículas está entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse patamar, os índices variam de moderado a péssimo, indicando um risco elevado à saúde pública.

Diante desse cenário, a Defesa Civil emitiu um alerta de risco alto, orientando a população a adotar medidas preventivas. Recomenda-se o uso de máscaras ao sair de casa, evitar exposição prolongada à fumaça, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, e seguir rigorosamente as orientações das autoridades locais. A inalação contínua de partículas finas pode causar problemas respiratórios agudos, irritação nos olhos e garganta, e agravar condições de saúde preexistentes.

Batalha contra as chamas: esforços e desafios

O combate aos incêndios tem sido uma verdadeira batalha, marcada por desafios logísticos e a necessidade de coordenação entre diferentes forças. Nesta quinta-feira, equipes do Corpo de Bombeiros e da Força Nacional foram mobilizadas para a região do Jacarezinho, enfrentando a dificuldade de acesso que exige o avanço pela mata para chegar aos focos. No Canaçari, bombeiros e moradores locais atuam incansavelmente na abertura de aceiros, barreiras de contenção que visam impedir o avanço das chamas.

Na última quarta-feira, uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas realizou sobrevoos e lançou água sobre as áreas mais atingidas no Canaçari, um esforço crucial para tentar controlar a propagação. Contudo, a escassez de recursos é uma realidade: o reforço de dez bombeiros enviado de Manaus na semana passada foi deslocado para atuar em outros incêndios na Região Metropolitana, incluindo ocorrências em Iranduba, evidenciando a complexidade da temporada de queimadas no estado.

Investigação e responsabilização por queimadas

A causa dos incêndios ainda está sob investigação. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Itacoatiara está recebendo denúncias e informações que possam auxiliar na identificação de possíveis responsáveis. A legislação ambiental brasileira é rigorosa, e caso seja comprovado que o fogo foi provocado de forma criminosa, os envolvidos poderão responder pelos danos ambientais e sociais causados. A queima ilegal de vegetação é um crime que traz graves consequências para o ecossistema, a biodiversidade e a saúde humana.

A conscientização e a vigilância da comunidade são fundamentais para prevenir novas ocorrências e para que os responsáveis por atos criminosos sejam devidamente punidos. Para mais informações sobre prevenção e combate a incêndios florestais, consulte fontes oficiais como o Ibama.

Enquanto as equipes de combate trabalham incansavelmente, Itacoatiara permanece sob uma nuvem de fumaça, aguardando que a situação seja controlada e a qualidade do ar retorne a níveis seguros. A crise ressalta a urgência de políticas eficazes de prevenção e combate a incêndios, bem como a necessidade de um olhar atento para as questões ambientais na Amazônia. Continue acompanhando O Amazonas para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que impactam nossa região, com reportagens aprofundadas e contextualizadas.

Fonte: g1.globo.com

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