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Incêndio em Manaus persiste após 24 horas e compromete qualidade do ar

Incêndio em Manaus persiste após 24 horas e compromete qualidade do ar
1 de 1 Incêndio em terreno na Zona Leste de Manaus continua no início da noite desta quarta-feira (7). — Foto: Patrick Marques/g1 AM

O incêndio que consome uma área de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus, completou mais de 24 horas de atividade ininterrupta. Iniciado por volta das 15h da última terça-feira (6), na Avenida dos Oitis, o fogo ainda apresentava focos ativos no início da noite desta quarta-feira (7), mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) em uma operação exaustiva de controle e rescaldo.

Estratégia de combate e uso de terra

Para conter as chamas que insistem em persistir sob camadas de resíduos, as equipes de socorro adotaram uma estratégia de abafamento. Caminhões têm realizado o despejo de grandes volumes de barro sobre os pontos de ignição. A técnica visa sufocar o fogo que se alimenta de materiais acumulados no terreno, reduzindo a intensidade das labaredas que, embora menos visíveis do que no início do incidente, continuam a gerar uma densa nuvem de fumaça sobre a capital amazonense.

Até o momento, a operação de combate já consumiu mais de 150 mil litros de água. O trabalho conta com o reforço de brigadistas e o apoio logístico de empresas instaladas nas proximidades do Distrito Industrial 2. Segundo o CBMAM, a área atingida ultrapassa os 15 mil metros quadrados, mas o fogo está confinado, eliminando, por ora, o risco de propagação para edificações vizinhas.

Impacto severo na qualidade do ar

A persistência das chamas trouxe consequências imediatas para a saúde pública. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram que a qualidade do ar em Manaus atingiu níveis classificados como “muito ruim” na noite de quarta-feira. A fumaça, carregada de partículas tóxicas, dispersou-se por diversas zonas da cidade.

Os bairros Petrópolis e Centro registraram as situações mais críticas, com concentrações de partículas que chegaram a 111,2 µg/m³ e 118 µg/m³, respectivamente. Para fins de comparação, a qualidade do ar é considerada satisfatória apenas quando a concentração de poluentes permanece abaixo de 25 µg/m³. A exposição prolongada a esses índices eleva os riscos de doenças respiratórias e cardiovasculares na população.

Fiscalização e sanções ambientais

Em resposta ao desastre, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) realizou uma vistoria técnica no local e aplicou uma multa de R$ 5,555 milhões à empresa responsável pela área. A fiscalização revelou irregularidades graves: o terreno, que possuía licença ambiental exclusiva para resíduos inertes da construção civil, abrigava pneus, plásticos e materiais contaminados com óleo e tinta.

Além da multa, o Ipaam avalia os danos ambientais de longo prazo, incluindo a possível contaminação do solo e do lençol freático. A empresa notificada possui um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa administrativa ou efetuar o pagamento da penalidade. As causas do início do incêndio seguem sob investigação pelas autoridades competentes. Para mais informações sobre este e outros desdobramentos ambientais em Manaus, continue acompanhando a cobertura completa de O Amazonas.

Fonte: g1.globo.com

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