A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), um dos maiores centros de abastecimento do país, avança com as ações de recuperação após o incêndio que devastou o pavilhão MFE-A entre a noite de 5 e a madrugada de 6 de setembro de 2026. Em um esforço para minimizar os impactos sobre os trabalhadores e comerciantes, uma estrutura provisória está sendo erguida, com a previsão de que as atividades sejam retomadas em 16 de outubro de 2026.
O incidente afetou diretamente 124 comerciantes que atuavam no pavilhão, conhecido por sua longa história e por abrigar negócios familiares há décadas. A agilidade na resposta da Ceagesp busca oferecer um novo local para que esses empreendedores possam continuar suas operações, essenciais para a cadeia de abastecimento de frutas na capital paulista e região.
A Nova Realidade dos Comerciantes
A estrutura provisória, composta por duas tendas galpão, será instalada a uma quadra de distância do pavilhão original. Embora o novo espaço seja um pouco menor, passando de 6 mil metros quadrados (m²) para 4,8 mil m², a expectativa é que ele proporcione um ambiente centralizado e mais adequado para os atendimentos. Atualmente, os comerciantes enfrentam condições precárias, operando ao redor do pavilhão destruído em tendas de lona, expostos ao calor e à chuva, o que dificulta a circulação de caminhões e a visibilidade dos produtos nas lojas vizinhas.
A situação é ainda mais crítica considerando que o período de maior movimentação para o comércio de frutas na Ceagesp ocorre entre novembro e fevereiro. A queda nas vendas, estimada em aproximadamente 50% pela comissão de comerciantes, reflete a urgência da realocação. Como medida de apoio, a administração da Ceagesp informou que os atingidos só voltarão a pagar as taxas quando o pavilhão definitivo for entregue, aliviando parte da pressão financeira.
Desafios Logísticos e o Futuro do Pavilhão
O pavilhão MFE-A, um dos 52 do complexo, era um dos mais antigos e, apesar de menor, uma referência, com comerciantes que atuavam há mais de quatro décadas, muitos deles dando continuidade a negócios familiares iniciados nos anos 1960. A reconstrução definitiva, no entanto, demandará tempo. A previsão é que os comerciantes utilizem a estrutura provisória até setembro de 2027, data esperada para a finalização do novo pavilhão.
O Diretor Técnico Operacional do Ceagesp, Luiz Silveira Rangel, detalhou os planos para a nova construção. “A ideia é a gente construir uma estrutura mais moderna, com o pé direito bem mais alto e mezanino. Estamos estudando um formato para dividir o que é boxe e o que que é área de granel, além de elevar a área de comércio, com uma plataforma, para evitar o risco de perdas em novas inundações”, explicou Rangel. Ele ressaltou a importância de discutir o projeto com os comerciantes, que são os verdadeiros conhecedores do dia a dia da operação.
Um dos maiores desafios atuais é a logística de abastecimento. O projeto original dos pavilhões, concebido há décadas, não previa o padrão de caminhões modernos, o que, somado à diminuição do espaço, intensifica as dificuldades. A área dos galpões provisórios, antes usada para estacionamento e transbordo, foi realocada para um dos bolsões de estacionamento, aumentando a distância entre escritórios e pontos de entrega. Um estacionamento provisório será instalado na área do pavilhão destruído em dezembro de 2026, enquanto o processo de contratação da obra definitiva avança.
A Complexidade da Demolição e Limpeza
A demolição da antiga estrutura do pavilhão MFE-A teve início na semana passada, logo após o incêndio. O trabalho de retirada do entulho e desmontagem das peças metálicas tem um prazo estimado de 60 dias. O local apresenta um cenário de destruição, com muito metal retorcido das telhas de zinco e das estruturas, já que o pavilhão não era de alvenaria.
Além dos resíduos metálicos, há restos de alimentos como cocos, abacaxis e melancias, que eram os principais produtos comercializados no MFE-A, ainda em processo de retirada. Documentos das empresas também estão sendo resgatados gradualmente, conforme a segurança das estruturas é garantida. Todos os destroços e resíduos orgânicos estão sendo cuidadosamente separados e destinados a aterros sanitários ou para reciclagem, demonstrando um compromisso com a gestão ambiental pós-desastre.
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