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Fumaça persiste em Manaus com níveis alarmantes de poluição do ar

Fumaça persiste em Manaus com níveis alarmantes de poluição do ar
Foto: José Lima/Rede Amazônica

Manaus, a capital amazonense, amanheceu novamente sob um denso manto de fumaça neste sábado, marcando o terceiro dia consecutivo de uma situação que eleva os níveis de poluição do ar a patamares alarmantes. A concentração de partículas finas na atmosfera atingiu índices que superam em mais de 700% o limite considerado seguro, transformando a paisagem urbana e, mais preocupante, afetando diretamente a saúde e a rotina dos moradores. A persistência da fumaça, proveniente de queimadas na região, coloca a cidade em um estado de atenção contínua, com impactos que se estendem por toda a Região Metropolitana.

Qualidade do ar em Manaus atinge níveis críticos

Os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), revelam um cenário preocupante. Em um dos pontos de monitoramento na capital, a concentração de partículas chegou a 209,1 µg/m³, um valor classificado como “péssimo” e que excede em 736,4% o limite de 25 µg/m³ estabelecido para uma qualidade do ar considerada boa. Por volta das 6h da manhã, o sensor localizado na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), na Zona Centro-Sul, registrava essa marca crítica.

A situação não foi isolada. Na região central da cidade, os índices também eram alarmantes, com 164,1 µg/m³ de partículas. No Morro da Liberdade, outro ponto de monitoramento, a concentração alcançou 157,2 µg/m³. Todos esses locais apresentavam a qualidade do ar no nível mais grave, o “péssimo”. Apenas em dois pontos da vasta capital amazonense a qualidade do ar foi considerada moderada, indicando uma deterioração generalizada. Desde 24 de setembro, a prefeitura de Manaus mantém a cidade em estado de atenção, uma medida adotada diante de ocorrências que afetam a cidade e a previsão de eventos de alto impacto em curto prazo.

Impacto regional se estende a municípios vizinhos

A crise da qualidade do ar não se restringe apenas à capital. Municípios da Região Metropolitana de Manaus também foram severamente afetados, com registros de concentrações de partículas ainda mais elevadas. Em Itacoatiara, por exemplo, a situação atingiu um pico alarmante de 2.016,1 µg/m³ por volta das 6h, levando a Defesa Civil local a emitir um alerta. A recomendação urgente para os moradores inclui o uso de máscaras ao sair de casa e a orientação para evitar a exposição prolongada à fumaça, visando minimizar os riscos à saúde.

Outras cidades como Careiro e Careiro da Várzea também enfrentaram condições críticas. Em Careiro, o índice de partículas chegou a 121,4 µg/m³, classificado como “muito ruim”, enquanto em Careiro da Várzea, a plataforma registrou 144,1 µg/m³, também no nível considerado “péssimo”. Imagens de satélite consultadas na plataforma Worldview da NASA corroboram a extensão do problema, mostrando uma vasta camada de fumaça cinzenta cobrindo a região, distinguindo-se das nuvens brancas e revelando a dimensão do fenômeno que assola o estado. Para mais informações sobre a qualidade do ar e alertas ambientais, consulte o site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Saúde pública sob pressão e relatos de sofrimento

Os efeitos da fumaça na saúde da população são uma das maiores preocupações das autoridades. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) registrou 82 atendimentos de urgência relacionados a possíveis impactos da fumaça de queimadas em Manaus apenas entre 1º e 8 de outubro. Desde 1º de julho, o monitoramento da secretaria contabiliza um total de 375 atendimentos na capital, com um aumento expressivo na última semana. Embora os dados ainda passem por qualificação para estabelecer uma relação direta de causa e efeito, a correlação temporal é inegável.

Os sintomas mais relatados pelos pacientes incluem falta de ar, tosse persistente, irritação na garganta, dores de cabeça, dor no peito, náuseas, vômitos, tontura e fadiga. Moradores de Manaus têm expressado seu sofrimento e indignação. A autônoma Márcia Mendes, que sofre de rinite e sinusite, descreveu ao g1 o agravamento de seus problemas respiratórios, com crises de espirros, congestão nasal e dificuldades para dormir devido à dor de cabeça e à falta de ar. “Manaus, no Amazonas, é conhecida como o pulmão do mundo, mas a gente está sufocando com toda essa fumaça. Está prejudicando todo mundo”, desabafou Márcia, que precisa trabalhar nas ruas, expondo-se à poluição para garantir sua renda.

Valdeci Moraes de Castro, também autônomo, relatou que a fumaça invade as residências, impedindo um descanso adequado. Ele criticou a inação do poder público e manifestou preocupação com os mais vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças respiratórias. “Nem em casa pode dormir. A fumaça entra toda para dentro do quarto. O ar está horrível”, afirmou Valdeci, reforçando a necessidade do uso de máscaras mesmo para atividades básicas. A capital amazonense, inclusive, registrou pelo segundo dia consecutivo a pior qualidade do ar do Brasil, de acordo com a plataforma internacional IQAir, um triste recorde para uma região vital para o equilíbrio ambiental global.

Acompanhar a evolução da qualidade do ar e seus impactos é fundamental para a população amazonense. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que afetam a região, continue acessando O Amazonas. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre ciente dos fatos que moldam nossa realidade.

Fonte: g1.globo.com

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