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Fumaça cobre Manaus após incêndio de grandes proporções atingir Iranduba

Fumaça cobre Manaus após incêndio de grandes proporções atingir Iranduba
Foto: Luciane Marques/Rede Amazônica

Manaus amanheceu nesta quinta-feira (1º) sob uma densa camada de fumaça, um cenário que se tornou visível e preocupante para os moradores da capital amazonense. A névoa acinzentada que encobriu a cidade é um reflexo direto de um incêndio de grandes proporções que consome uma vasta área de vegetação no distrito de Cacau Pirêra, localizado no município de Iranduba, no interior do Amazonas.

O impacto da queimada, que teve início na tarde de quarta-feira (30), foi sentido em diversos bairros da capital, onde a visibilidade foi reduzida e a qualidade do ar foi comprometida. A situação acende um alerta para as condições ambientais da região, especialmente em um período de seca que tem favorecido a ocorrência de focos de fogo.

A Capital Sob um Manto de Fumaça

Desde as primeiras horas da manhã, a paisagem urbana de Manaus foi alterada pela fumaça, que se estendeu por grande parte do horizonte. Moradores relataram o cheiro forte e a dificuldade de enxergar com clareza, evidenciando a dimensão do problema. A origem da fumaça, uma imensa coluna que se elevava da região oposta ao Rio Negro, pôde ser observada de longe ao longo de toda a quarta-feira.

A preocupação com a saúde pública é imediata. De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a qualidade do ar na capital foi classificada como “moderada” na manhã desta quinta-feira. Embora não seja considerada insalubre, essa classificação indica que pessoas com sensibilidade respiratória, crianças e idosos podem sentir desconforto, como irritação nos olhos e garganta, e agravamento de condições pré-existentes como asma e bronquite.

O Cenário do Incêndio em Cacau Pirêra

O foco principal do incêndio está localizado na altura dos quilômetros 3 e 4 da rodovia AM-070, uma área de vegetação que se tornou combustível para as chamas. A extensão do dano ambiental é alarmante: conforme dados do Painel do Fogo do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), até as 20h de quarta-feira, o fogo já havia consumido uma área de 441,32 hectares. Essa dimensão equivale a aproximadamente 600 campos de futebol, demonstrando a voracidade e a dificuldade de controle das chamas.

A localização do incêndio, embora em Iranduba, é estratégica para a propagação da fumaça até Manaus, impulsionada pelos ventos e pela proximidade geográfica. A vegetação seca, característica do período, contribui para que o fogo se espalhe rapidamente, transformando grandes áreas em cinzas e liberando uma quantidade massiva de poluentes na atmosfera.

Mobilização e Desafios no Combate às Chamas

Para tentar conter o avanço do fogo e minimizar seus impactos, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) montou uma operação de grande escala. A equipe mobiliza 24 militares e 10 viaturas no local, trabalhando incansavelmente para debelar as chamas. O combate a incêndios florestais de tamanha magnitude é um desafio complexo, exigindo não apenas recursos humanos e materiais, mas também estratégias adaptadas ao terreno e às condições climáticas.

Até o momento, as autoridades não registraram feridos em decorrência do incêndio, o que é um alívio em meio à gravidade da situação. As causas que levaram ao início das chamas ainda são desconhecidas e estão sob investigação. O CBMAM informou que novas atualizações sobre o progresso dos trabalhos e as possíveis origens do fogo serão divulgadas assim que as equipes concluírem suas operações.

Seca e Queimadas: Um Contexto Preocupante para o Amazonas

O incêndio em Iranduba não é um evento isolado, mas parte de um cenário mais amplo de seca e queimadas que tem afetado o Amazonas. O mês de setembro, por exemplo, foi o mais seco dos últimos quatro anos em Manaus, um dado que sublinha a vulnerabilidade da região a esse tipo de desastre ambiental. A falta de chuvas prolongada cria condições ideais para a ignição e a rápida propagação do fogo, seja por causas naturais ou, mais frequentemente, por ação humana.

Outros municípios do estado também têm enfrentado situações críticas. Recentemente, um incêndio florestal em Itacoatiara, por exemplo, persistiu por 11 dias, espalhando fumaça por toda a cidade e arredores. Essa recorrência de queimadas tem um impacto devastador na biodiversidade amazônica, na saúde da população e contribui significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, agravando as mudanças climáticas. A conscientização e a fiscalização são cruciais para mitigar esses eventos.

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Fonte: g1.globo.com

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