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Novo Airão celebra a cultura ancestral com o primeiro festival indígena do Baixo Rio Negro

Novo Airão celebra a cultura ancestral com o primeiro festival indígena do Baixo Rio Negro
Foto: Divulgação

Novo Airão, município no coração do Amazonas, foi palco de um evento histórico e vibrante neste último fim de semana, dias 8 e 9 de agosto. A cidade recebeu o 1º FestYãdepá – Festival Cultural de Todos Nós, uma celebração inédita que reuniu 24 povos indígenas do Baixo Rio Negro. Mais do que um festival, a iniciativa marcou um encontro significativo de culturas, saberes e tradições, consolidando-se como um marco para a valorização da herança ancestral na região.

Contexto e Propósito do FestYãdepá

O festival foi estrategicamente programado para coincidir com o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, conferindo um simbolismo ainda maior à sua realização. O nome “Yãdepá”, que em Nheengatu significa “todos nós”, encapsula a essência do evento: união, coletividade e o fortalecimento das identidades indígenas. Conforme destacado por um dos organizadores, a proposta é que o FestYãdepá se torne um espaço permanente de intercâmbio e reconhecimento cultural. Este encontro histórico, que trouxe caciques, lideranças e diversas comunidades, sublinha a importância de criar plataformas para a expressão e a perpetuação das ricas manifestações culturais dos povos originários do Amazonas.

A Riqueza da Programação Cultural e Esportiva

A programação do FestYãdepá foi um mosaico de atividades que cativaram moradores e visitantes, distribuídas entre a Praça Municipal e outros pontos da cidade. No sábado, a abertura oficial foi marcada por um ritual conduzido pela respeitada Dona Neuza Tukano, seguido pelo “Desafio dos Saberes Indígenas”. Nesta competição, os participantes demonstraram habilidades tradicionais como a ralação de mandioca, o trançado de palha branca e a preparação da quinhapira, pratos e técnicas que são pilares da culinária e do artesanato local. A noite foi embalada por apresentações musicais e de dança, incluindo o show “Rio Negro” de Eric Max Baré, um dos idealizadores do festival, acompanhado pelo DJ Ravi Veiga (Mura), e performances de dançarinos como Marilson Freire (Karapaño) e R. Bezerra (Baré), além dos grupos Peixe-Boi Anavilhanas e WOTCHIMAÜCÜ.

No domingo, o foco se voltou para os Jogos Indígenas, que trouxeram à tona a destreza e a força dos participantes em modalidades como arco e flecha, zarabatana, arremesso de ouriço e lança, futsal e cabo de guerra. Essas competições não são apenas esportivas, mas também uma forma de manter vivas as práticas ancestrais e de fortalecer o espírito comunitário. O dia culminou com o ritual Majé Dyyakapiró, a apresentação do grupo Yebá Buró Goamú, o concurso Guerreira e Guerreiro Ancestral Indígena e o emocionante Desfile Ancestral Indígena, encerrando com shows de Cida Aripória, Junior Xoque e a Banda Apuré.

Feira de Artesanato e Saberes Tradicionais

Durante os dois dias do festival, a Feira de Artes Tauapessassu se destacou como um vibrante centro de troca e comercialização. Nela, artesãos indígenas expuseram e venderam uma vasta gama de produtos, desde artesanatos elaborados e grafismos intrincados até peças de moda indígena e itens da medicina tradicional. Essa feira não apenas gerou renda para as comunidades, mas também ofereceu aos visitantes uma oportunidade única de conhecer e adquirir produtos que carregam consigo a história e a identidade dos povos do Baixo Rio Negro. Além disso, o evento incluiu o Cineclube do Igapó, que promoveu a exibição de filmes com temáticas indígenas, e a Oficina Arte da Terra, voltada para crianças de 5 a 10 anos, incentivando a nova geração a se conectar com as raízes culturais através do grafismo.

O Legado de um Encontro Histórico

O 1º FestYãdepá em Novo Airão transcendeu a mera celebração, estabelecendo-se como um catalisador para a valorização e o reconhecimento dos povos indígenas do Baixo Rio Negro. Ao reunir 24 etnias em um mesmo espaço, o festival fomentou o diálogo interétnico, a troca de experiências e o fortalecimento das redes de apoio entre as comunidades. A iniciativa ressalta a importância de políticas culturais que promovam a visibilidade e o protagonismo indígena, garantindo que suas vozes e tradições sejam ouvidas e respeitadas. O sucesso do evento sinaliza um caminho promissor para futuras edições, consolidando Novo Airão como um polo de irradiação da cultura ancestral amazônica e um exemplo de como a celebração da diversidade pode construir pontes e fortalecer identidades. Para mais informações sobre os povos indígenas do Brasil, consulte fontes oficiais como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI).

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Fonte: g1.globo.com

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