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Eleitores indígenas relatam falta de assistência e transporte no Vale do Javari

Eleitores indígenas relatam falta de assistência e transporte no Vale do Javari
Foto: Reprodução/DPE-AM

Eleitores indígenas que saíram de comunidades do Vale do Javari para votar no segundo turno das Eleições 2026 enfrentam dificuldades para conseguir alimentação e chegar a Atalaia do Norte, no interior do Amazonas. A reclamação foi feita por representantes indígenas, que também relataram problemas no transporte devido à chegada tardia de combustível e à estiagem na região.

As reclamações ocorrem após uma polêmica envolvendo o transporte para o pleito. A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) se retratou após afirmar que o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) negou um pedido de apoio logístico para mais de 40 aldeias indígenas votarem.

Desafios com a alimentação e longas esperas

Segundo Abrão Mayoruna, representante indígena que está no município, parte dos eleitores chegou aos locais de votação, mas não recebeu suporte para alimentação. Ele afirmou que tentava contato com a prefeitura para conseguir ajuda aos indígenas que já estavam na cidade, mas ainda aguardava resposta.

A falta de assistência também foi relatada por indígenas de outras comunidades. Segundo Marcelo Kulina, apenas uma aldeia do povo Kulina não conseguiu transportar os moradores para votar porque o combustível chegou em cima da hora, em uma região distante da sede do município. Já indígenas do povo Kanamary relataram que muitos eleitores não devem conseguir chegar a Atalaia do Norte por falta de gasolina suficiente para fazer o trajeto em embarcações.

Impacto da estiagem e permanência prolongada

As dificuldades de deslocamento e permanência na cidade se somam aos problemas causados pela estiagem, que reduz o nível dos rios e dificulta a navegação na região amazônica. Abrão Mayoruna também criticou a falta de planejamento e de assistência, destacando que as dificuldades para chegar aos locais de votação e permanecer nos municípios se repetem em diferentes eleições.

Ele afirmou que alguns indígenas precisam ficar de três a cinco dias na cidade e, durante esse período, enfrentam dificuldades para custear as próprias despesas, incluindo alimentação. O representante defendeu que as próximas eleições tenham melhores condições de transporte e assistência aos cidadãos que precisam sair de suas comunidades.

Posicionamento da prefeitura e disputa judicial

Em nota, a Prefeitura de Atalaia do Norte informou que, em reunião com a Justiça Eleitoral, ficou acordado que o município apoiaria o transporte dos indígenas com o fornecimento de combustível para o deslocamento até a sede da cidade e as seções eleitorais. Sobre a alimentação e a água, a administração municipal afirmou que não houve determinação da Justiça Eleitoral para o fornecimento dos itens, cuja responsabilidade seria da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

As reclamações ocorrem em meio à polêmica sobre o transporte de eleitores. A Univaja havia pedido desculpas à juíza Dálethe Borges Messias após alegar inicialmente que o TRE-AM negou apoio logístico, pedido que o tribunal alegou ter sido feito fora do prazo. Posteriormente, em reunião com autoridades locais, representantes da Univaja afirmaram que a questão do combustível e do apoio logístico estava resolvida.

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Fonte: g1.globo.com

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