PUBLICIDADE

Crise no sistema prisional da PM no Amazonas: uma cronologia de motins e fugas

Crise no sistema prisional da PM no Amazonas: uma cronologia de motins e fugas
Foto: Ronaldo Lima/Rede Amazônica

O sistema de custódia de policiais militares no Amazonas atravessa um período de instabilidade acentuada. Em pouco mais de seis meses, uma sucessão de eventos críticos — que vão desde fugas registradas até motins com agentes feitos reféns — colocou em xeque a segurança e a gestão das unidades prisionais destinadas à corporação. O cenário, que envolve investigações internas e mudanças estruturais, reflete um desafio contínuo para as forças de segurança do estado.

A instabilidade no controle das unidades

A sequência de episódios teve início em 27 de fevereiro, quando 23 policiais militares deixaram o antigo Núcleo Prisional da PMAM, localizado no bairro Monte das Oliveiras, em Manaus. A ausência foi detectada durante uma vistoria de rotina. Embora a Polícia Militar tenha informado, à época, que a maioria dos detentos retornou espontaneamente na mesma noite e que não havia mais foragidos no dia seguinte, o caso acendeu um alerta sobre as falhas na vigilância do local.

O desdobramento desse episódio ocorreu em 17 de março, com a deflagração da Operação Sentinela. A ação investigativa resultou na prisão de dois policiais suspeitos de facilitar a saída dos internos. Entre os detidos estava o major Galeno Edmilson de Souza Jales, então responsável pela unidade, que foi posteriormente excluído dos quadros da corporação. O episódio forçou a cúpula da segurança pública a revisar protocolos de custódia.

Mudança de estrutura e protestos

Em uma tentativa de reorganizar a custódia, o governo do estado iniciou, em 12 de maio, a transferência de 71 policiais para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas, situada na BR-174, na zona rural de Manaus. A nova estrutura passou a ocupar o prédio da antiga Penitenciária Feminina, adjacente ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

A operação, denominada Sentinela Maior, marcou o início da desativação do antigo núcleo. Contudo, a movimentação foi tensa e acompanhada de perto por familiares dos detentos, que realizaram protestos durante a saída dos ônibus. A mudança buscava, em tese, oferecer um ambiente mais controlado e adequado para o cumprimento das penas dos agentes da lei.

O motim recente e a retomada da ordem

A tensão na nova unidade atingiu seu ápice entre a tarde de terça-feira (1º) e a madrugada desta quarta-feira (2). Policiais militares presos iniciaram um motim, mantendo quatro agentes da guarda — um major e três soldados — como reféns. Durante o conflito, os internos danificaram celas e destruíram câmeras de segurança, protestando contra alterações na rotina, como a mudança no cronograma de visitas e a supressão de benefícios.

O promotor de Justiça Igor Starling, que acompanhou as negociações ao lado da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) e da OAB-AM, destacou que a principal demanda dos amotinados era a transferência para o antigo núcleo prisional, pedido prontamente negado pelas autoridades. A crise foi encerrada por volta de 1h30 da quarta-feira, após uma operação de retomada que mobilizou cerca de 120 agentes de unidades de elite, como o Bope, Rocam e o Batalhão de Choque. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), os reféns foram liberados sem ferimentos.

O caso agora segue para apuração rigorosa. Procedimentos administrativos e criminais serão instaurados para investigar a conduta dos envolvidos, com os dados sendo compartilhados com o Ministério Público e a Justiça Militar. O Amazonas continua acompanhando os desdobramentos desta crise, mantendo o compromisso de levar até você a informação precisa e contextualizada sobre a segurança pública em nosso estado.

Fonte: g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE