O chamado “verão amazônico”, período marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, exige atenção redobrada de quem pratica atividades físicas na região. Com o cenário de um El Niño forte e o Atlântico aquecido, que acendem o alerta para calor extremo e seca no Amazonas, a adaptação da rotina de exercícios torna-se crucial para a saúde e o bem-estar dos moradores, especialmente em áreas urbanas como Manaus, onde a pouca arborização e o excesso de concreto intensificam a sensação térmica.
A exposição excessiva ao sol e o esforço físico sem os devidos cuidados podem levar ao superaquecimento do corpo e acelerar a desidratação, conforme diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ondas de calor. Para auxiliar a população a manter a prática de exercícios com segurança, o portal O Amazonas conversou com especialistas que detalham as melhores estratégias para enfrentar o calor amazônico.
Os desafios do calor extremo para o corpo
Durante o exercício em temperaturas elevadas, o organismo é submetido a um estresse adicional. O coração precisa trabalhar mais intensamente para manter a temperatura corporal em níveis seguros. A nutricionista Raquel Souza explica que o corpo aumenta o fluxo sanguíneo para a pele na tentativa de dissipar o calor excessivo. Esse processo, somado ao esforço cardiovascular normal do exercício, eleva a frequência cardíaca e a sobrecarga do organismo.
A situação é agravada pela alta umidade do ar, característica da região amazônica, que dificulta a evaporação do suor – principal mecanismo de resfriamento do corpo. “Isso não significa que o exercício seja proibido, mas exige adaptação da intensidade, horário, pausas e hidratação, principalmente em pessoas mais vulneráveis”, destaca Raquel. A desidratação severa, por sua vez, pode comprometer os rins e a capacidade do corpo de regular sua própria temperatura, levando a condições graves.
É fundamental que os praticantes de atividades físicas saibam diferenciar o cansaço comum de sinais de alerta. A exaustão pelo calor manifesta-se com suor intenso, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea e queda do rendimento. Já a intermação, uma emergência médica, pode incluir confusão mental, desorientação, convulsão ou perda de consciência. “Nesses casos, não é apenas descansar: é necessário interromper a atividade, iniciar o resfriamento e buscar atendimento médico imediatamente”, alerta a nutricionista.
Pessoas que utilizam medicamentos contínuos, como diuréticos ou remédios para pressão e ansiedade, devem ter atenção especial, pois alguns desses fármacos podem favorecer a perda de líquidos e sais minerais. Além disso, a proteção da pele é indispensável. O uso de protetor solar de amplo espectro e resistente à água é altamente recomendado, pois o suor e o atrito podem intensificar queimaduras e irritações cutâneas. Para mais informações sobre os riscos do calor, consulte as orientações da OMS.
Planejando o exercício em altas temperaturas
Para quem pratica esportes ao ar livre em Manaus, onde as “ilhas de calor” criadas pela falta de árvores e o excesso de concreto elevam ainda mais as temperaturas, a escolha do horário e o ajuste da intensidade do exercício são medidas protetivas essenciais. A profissional de educação física Irene Samilla recomenda evitar os períodos de maior incidência solar.
“Em Manaus, o ideal é priorizar o início da manhã ou o final da tarde, evitando principalmente os horários de maior incidência solar, entre aproximadamente 10h e 16h. Mesmo em horários mais amenos, a alta umidade exige atenção à hidratação e à intensidade do treino”, pontua Irene. Para atividades de longa duração, como corrida e ciclismo, a recomendação é reduzir o ritmo nos dias mais quentes, permitindo que o corpo se adapte gradualmente às condições climáticas.
A adaptação gradual é um fator chave. “Nos dias mais quentes, atividades leves ou moderadas e realizadas em locais ventilados ou com sombra são boas opções. Para corrida, ciclismo e exercícios de longa duração, é importante reduzir ritmo, distância ou intensidade quando necessário e permitir que o corpo se adapte gradualmente ao calor”, recomenda a profissional.
Vestuário e hidratação essenciais
A escolha do vestuário desempenha um papel significativo na capacidade do corpo de liberar o calor acumulado durante o exercício. Roupas leves, de tecidos que permitam a passagem de ar, facilitam a evaporação do suor e, consequentemente, o resfriamento corporal. Peças de cores claras são preferíveis, pois refletem a luz solar, ao contrário das cores escuras que absorvem mais calor.
Acessórios como bonés e viseiras são importantes para proteger a cabeça e o rosto da radiação solar direta, enquanto óculos escuros ajudam a reduzir a exposição dos olhos. A hidratação, por sua vez, deve ser uma preocupação constante, começando antes do exercício e sendo mantida durante e após a atividade. Em treinos mais longos ou com transpiração intensa, bebidas isotônicas podem ser úteis para repor eletrólitos perdidos.
Os cuidados são ainda mais críticos para grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas que estão iniciando a prática de exercícios. Para esses indivíduos, a adaptação da atividade às condições de calor e umidade deve ser ainda mais rigorosa, buscando orientação profissional sempre que necessário para garantir a segurança e a eficácia do treino.
Manter-se informado e adotar práticas seguras são passos fundamentais para desfrutar dos benefícios da atividade física mesmo sob o calor intenso do verão amazônico. O Amazonas segue comprometido em trazer informações relevantes e contextualizadas para que você e sua família possam viver com saúde e segurança. Continue acompanhando nosso portal para mais notícias e análises aprofundadas sobre temas que impactam a sua vida na região.
Fonte: g1.globo.com