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Casa d’Arraia é inaugurada no Inpa com foco em desmistificar a espécie na Amazônia

Casa d'Arraia é inaugurada no Inpa com foco em desmistificar a espécie na Amazônia
1 de 5 Arraias são, em sua maioria, animais de comportamento sedentário, e muitas vezes podem ser vistas enterradas no fundo de corpos d'água. — Foto: Marcela Orquiz/g1 AM

O Bosque da Ciência, localizado nas dependências do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, ganhou um novo espaço dedicado à educação ambiental e à conservação da biodiversidade. Foi inaugurada nesta quinta-feira (3) a Casa d’Arraia, uma exposição permanente que integra o projeto Arraias do Bosque. A iniciativa busca transformar a percepção pública sobre esses animais, frequentemente vistos como uma ameaça, por meio da divulgação científica e do contato direto com a fauna regional.

Conhecimento científico para desmistificar o medo

O projeto é liderado pelo pesquisador Lucas Castanhola, coordenador de pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior no Inpa. O objetivo central é “desvilanizar” a arraia no imaginário popular. Segundo o pesquisador, o medo que muitas pessoas sentem ao ouvir falar sobre esses animais é fruto de uma desconexão com a realidade ecológica da bacia amazônica, que abriga a maior diversidade de espécies de arraias da América do Sul.

“As pessoas terão acesso a informações científicas de maneira mais acessível e dentro dessa exposição imersiva. É uma forma de tentar desvilanizar e desestigmatizar esses animais que são da nossa região”, afirmou Castanhola durante a abertura. O espaço conta com aquários expositivos capazes de abrigar até oito arraias vivas, além de exemplares conservados e materiais didáticos que explicam o comportamento sedentário e os hábitos desses seres.

O papel ecológico das arraias na Amazônia

Para além da curiosidade, a exposição enfatiza a importância biológica das arraias. De acordo com dados do Inpa, existem 22 espécies de arraias amazônicas registradas, de um total de 38 catalogadas em todo o continente. O papel desses animais no ecossistema é fundamental para o equilíbrio dos corpos d’água.

Castanhola explica que as arraias atuam como predadoras essenciais no controle populacional de insetos aquáticos e pequenos peixes. A ausência desses animais em um ecossistema pode gerar um desequilíbrio, resultando na superpopulação de outras espécies. O diretor do Inpa, Henrique Pereira, reforçou que o espaço serve como uma ferramenta para que o público compreenda a beleza e a relevância desses animais, que muitas vezes são evitados por receio de acidentes.

Arte e ciência em uma experiência imersiva

A Casa d’Arraia também se destaca pela integração entre o rigor científico e a expressão artística. Logo na entrada, os visitantes são recebidos por um mural assinado pelos artistas visuais Juliana Lama e Alessandro Hipz. A obra, que demandou cerca de um mês de execução, retrata 12 das 22 espécies amazônicas e incorpora retratos inspirados na atriz indígena Gaby Moraes.

“A oportunidade de se aprofundar nas pesquisas e no papel ecológico da arraia foi o que nos encantou para produzir essas obras. Queremos enfatizar a relação entre o humano e o bicho”, destacou Juliana Lama. A exposição é um esforço coletivo que envolve estudantes de graduação e pós-graduação, responsáveis pela mediação científica e pelas atividades de educação ambiental oferecidas aos visitantes.

O espaço está aberto para visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h. Aos finais de semana, o funcionamento ocorre das 9h às 17h, com o Bosque da Ciência fechado às segundas-feiras. Continue acompanhando o portal O Amazonas para mais notícias sobre ciência, meio ambiente e cultura na região, mantendo-se sempre bem informado com o nosso compromisso editorial de qualidade.

Fonte: g1.globo.com

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