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Com ar ‘péssimo’, Autazes lidera focos de queimadas e vive emergência ambiental no Amazonas

Com ar 'péssimo', Autazes lidera focos de queimadas e vive emergência ambiental no Amazonas
Foto: Divulgação

O município de Autazes, localizado no interior do Amazonas, emergiu como o epicentro da crise de queimadas no estado, registrando um alarmante número de focos de incêndio nas últimas 72 horas. A situação se agrava com a deterioração da qualidade do ar, que atingiu níveis considerados “péssimos”, colocando em risco a saúde da população e o equilíbrio ambiental da região.

Entre a última sexta-feira (10) e a manhã desta terça-feira (13), Autazes contabilizou 139 focos de queimadas, o maior índice entre todas as cidades amazonenses, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este cenário reflete uma preocupante intensificação dos incêndios florestais, que têm impactado diversas áreas do estado.

Autazes no centro da crise ambiental

Os números divulgados pelo Inpe revelam que o Amazonas registrou um total de 726 focos de queimadas no período analisado. Desse montante, Autazes sozinho é responsável por 19,1%, com seus 139 registros. Outros municípios também figuram na lista dos mais afetados, como Itacoatiara, com 59 ocorrências, Novo Aripuanã, com 42, e Manaquiri, com 38 focos.

Este ano, um padrão distinto de anos anteriores tem sido observado. As queimadas, que tradicionalmente concentravam-se no Sul do Amazonas, agora atingem com maior intensidade a Região Metropolitana de Manaus e o Baixo Amazonas. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Orleilso Muniz, atribuiu essa mudança à instalação de bases permanentes da corporação no Sul do estado no ano passado, o que teria deslocado o foco dos incêndios para outras áreas.

Qualidade do ar em níveis críticos

A fumaça decorrente dos múltiplos incêndios tem gerado um impacto direto e severo na qualidade do ar em Autazes. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), classificou o índice como “péssimo”, com a concentração de partículas finas atingindo impressionantes 708,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³).

Para contextualizar, o Selva considera a qualidade do ar boa quando a concentração de partículas está entre 0 e 25 µg/m³. Qualquer valor acima desse patamar já indica níveis que variam de moderado a péssimo, dependendo da escala. A visibilidade também foi drasticamente afetada, como evidenciado por um vídeo gravado por um barqueiro na manhã de terça-feira (13), que mostrava uma densa camada de fumaça cobrindo o rio e impedindo a visualização do horizonte.

Mobilização federal e desafios no combate às queimadas

Diante da gravidade da situação, Autazes está entre as áreas prioritárias para receber o apoio do governo federal no combate aos incêndios. Uma operação robusta foi montada, contando com um total de 11 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan. Quatro dos aviões Air Tractor foram estrategicamente direcionados para Autazes e o entorno de Manaus, operando a partir da Base Aérea da capital para lançar água diretamente sobre as chamas.

Além dos recursos aéreos, a força-tarefa conta com 290 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Força Nacional. Uma equipe de reforço, vinda de São Paulo, também foi mobilizada para auxiliar os agentes já em campo. Contudo, as operações aéreas enfrentaram um grande obstáculo na segunda-feira (12), quando a intensa fumaça prejudicou a visibilidade, permitindo que apenas o cargueiro KC-390 realizasse voos para lançamento de água, enquanto os helicópteros se dedicaram ao apoio logístico. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, garantiu que as aeronaves e os brigadistas permanecerão na região até que todos os focos de incêndio sejam extintos.

Cenário de aumento das queimadas no Amazonas

A crise em Autazes é parte de um quadro mais amplo de intensificação das queimadas em todo o estado. Nos primeiros dez dias de outubro deste ano, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, um aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372. Esses dados, do Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), sublinham a urgência da situação.

A distribuição desses focos revela que a maioria, 1.186, ocorreu em áreas públicas, enquanto 93 foram em propriedades privadas e 101 em locais com situação fundiária indefinida. Assentamentos federais registraram 246 focos, terras indígenas foram atingidas por 116, e unidades de conservação por 97. A fumaça, que já encobre diversos municípios amazonenses, também tem levado a níveis insalubres de poluição em Manaus, que, apesar de uma melhora pontual, segue como uma das cidades mais poluídas do Brasil.

Para se manter atualizado sobre a crise ambiental no Amazonas e outros temas relevantes, continue acompanhando O Amazonas. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre os acontecimentos que impactam nossa região e o país.

Fonte: g1.globo.com

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