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Amazonas em alerta máximo: estado decreta emergência por estiagem e estima impacto em mais de 600 mil pessoas

Amazonas em alerta máximo: estado decreta emergência por estiagem e estima impacto em mais de 600 mil pessoas
Foto: Rede Amazônica

O Governo do Amazonas decretou situação de emergência em todo o estado, com validade de 180 dias, em resposta à crescente preocupação com a estiagem e as projeções de um cenário climático adverso para os próximos meses. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE-AM) na última segunda-feira (21), visa preparar a região para enfrentar os impactos que podem afetar até 648 mil pessoas nos 62 municípios amazonenses.

A decisão governamental reflete a gravidade das previsões meteorológicas, que apontam para chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas. Tais condições são propícias para a redução drástica do nível dos rios, agravando a estiagem e comprometendo atividades essenciais para a vida na Amazônia.

O Cenário Climático e a Persistência do El Niño

As projeções mais recentes, divulgadas pelo Painel El Niño 2026-2027 e pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), indicam que as condições associadas ao fenômeno El Niño devem persistir até, pelo menos, o início de 2027. Este cenário prolongado de anomalias climáticas é o principal motor da preocupação, já que historicamente o El Niño está ligado a períodos de seca mais intensa na região amazônica.

Os efeitos desse quadro já são visíveis e preocupantes. Nos últimos dias, Manaus e sua Região Metropolitana foram cobertas por uma densa camada de fumaça, resultado direto do tempo seco e das altas temperaturas, que favorecem a ocorrência de queimadas. Além disso, a capital amazonense registrou recordes de temperatura, ultrapassando os 38°C, e um aumento significativo no consumo de energia, evidenciando o calor extremo que a população tem enfrentado.

Navegação e Logística em Risco

A descida acentuada do nível dos rios é uma das consequências mais imediatas e impactantes da estiagem no Amazonas. A navegação, que é a principal via de transporte e locomoção na região, fica severamente prejudicada. Isso afeta não apenas o deslocamento diário de milhares de moradores que dependem dos rios, mas também o transporte de produtos essenciais, insumos e serviços para os municípios do interior, muitos dos quais são acessíveis apenas por via fluvial.

A interrupção ou a dificuldade na navegação pode gerar desabastecimento, aumento de preços e isolamento de comunidades, criando uma crise humanitária e econômica em larga escala. A dependência dos rios para a subsistência e o comércio torna a estiagem um desafio complexo e multifacetado para o estado.

As Medidas do Decreto e a Resposta Governamental

A decretação da situação de emergência confere aos órgãos do governo estadual a prerrogativa de adotar medidas extraordinárias, conforme previsto na legislação para crises. Entre as ações permitidas estão a compra emergencial de insumos, a contratação de serviços essenciais para prevenção e assistência às localidades afetadas, e a realização de obras emergenciais para garantir a segurança e a mobilidade da população.

É crucial ressaltar que os recursos destinados a esta situação de emergência deverão ser utilizados exclusivamente em ações relacionadas aos efeitos da estiagem, garantindo a transparência e a eficácia das intervenções. Qualquer intervenção ambiental necessária deverá ser comunicada ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e dependerá de seu acompanhamento e autorizações. A coordenação de todas as ações ficará a cargo do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, que articulará e monitorará as iniciativas durante os 180 dias de validade do decreto.

Precedentes e a Urgência da Situação

Esta não é a primeira vez que o Amazonas decreta emergência climática neste ano. Em 1º de junho, o governo já havia tomado uma medida preventiva diante das projeções. No entanto, o novo decreto, emitido em 21 de agosto, leva em conta a atualização e a confirmação das projeções climáticas adversas, reforçando a necessidade de mobilização contínua dos órgãos estaduais para mitigar os impactos e prestar assistência às comunidades mais vulneráveis.

A recorrência de eventos extremos, como a fumaça que encobriu Manaus por dias e os recordes de temperatura, sublinha a urgência da situação e a necessidade de ações coordenadas e eficazes para proteger a população e o meio ambiente. Para mais informações sobre as projeções climáticas na Amazônia, consulte os dados do Censipam.

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Fonte: g1.globo.com

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